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A mulher nua rejeitada pela Justiça paranaense é transportada para os fundos do Palácio Iguaçu em meados da década de 1950 |
A mulher nua rejeitada pela Justiça paranaense é transportada para os fundos do Palácio Iguaçu em meados da década de 1950
 
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Cidadão alerta

É gratificante saber que a maioria dos leitores deste espaço memorialista curte a cidade, conhecendo nuan­­­ces da história de Curitiba, cujos detalhes são verdadeiramente curiosos e de extremo valor didático. Agora mesmo o leitor e historiador Jair Elias dos Santos Júnior nos envia correspondência a qual aproveitamos e publicamos na íntegra a seguir:

“Mulher nua: provincianismo vesgo”

“A coluna Nostalgia abordou, na edição de domingo passado da Gazeta do Povo, um tema que deveria ser reparado pelo atual prefeito de Curitiba e pelo governador do estado. A remoção da estátua da mulher nua, hoje na Praça 19 de Dezembro, para a entrada do Tribunal do Júri, no Centro Cívico.

Criada por Erbo Stenzel e Humberto Cozzo, a escultura da mulher nua representa a Justiça e foi projetada para ficar na frente do Tribunal do Júri. Os monumentos foram inaugurados em 15 de junho de 1955. A Justiça não foi aceita e foi colocada atrás do Palácio Iguaçu, onde permaneceu por 19 anos. A escala e proporções da mulher nua não são semelhantes às do homem nu.

Em 30 de agosto de 1972, a estátua da mulher nua, que estava esquecida nos jardins do Palácio Iguaçu, foi levada para fazer companhia ao homem da Praça 19 de Dezembro. Tanto Erbo Stenzel quanto Bento Munhoz da Rocha Netto não concordaram com a remoção. Bento, em entrevista a jornais, considerou o ato como uma burrice enciclopédica e provincianismo vesgo acionado pelo oposicionismo desesperado da época.

Stenzel explicou sua contrariedade devido às razões estéticas, pois a mulher nua de três metros se mostra inferior ao homem nu de oito metros. Em entrevista ao jornal Diário da Tarde, de 4 de setembro de 1972, Erbo Stenzel, aos 60 anos, com pernas imobilizadas, longa barba grisalha, cabelos brancos e lendo a Bíblia Sagrada e alguns livros alemães, expressou sua opinião sobre suas obras: O homem que a princípio eu projetara inclinado para frente, dando a impressão que estava correndo, e a mulher, que representaria Justiça, fugindo aos padrões normais, isto é, sem venda nos olhos, balança ou longo vestido.

Uma boa oportunidade para os nossos governantes corrigirem um erro histórico e, ao mesmo tempo, respeitarem a memória de Bento Munhoz da Rocha Netto, Erbo Stenzel e Humberto Cozzo.”

Eis aí, portanto, o texto do Jair que é autor do livro Palácio Iguaçu: coragem de realizar de Bento Munhoz da Rocha Netto. Como cidadão alerta sobre ocorrências na urbe curitibana sua bronca é válida, entretanto, acredito que a estátua da mulher, representando a Justiça, não teria como destino o Tribunal do Júri, mas sim para ficar em frente ao Tribunal de Justiça.

Sei que toda essa explicação é a mesma coisa que “chover no molhado”, haja vista que outra obra de Erbo Stenzel, o busto da professora Julia Wanderley que se encontra mutilado, continua com a cara quebrada em frente ao colégio, sem que “otoridade” alguma tome providências.

Lembro ainda que o monumento da Praça Zacarias em honra ao nosso primeiro presidente também foi descaracterizado em meados de 1960. Somente muitos anos depois voltaram as peças originais do pedestal graças à matéria publicada aqui na Gazeta do Povo, mesmo assim, com a condição de que ali se colocasse uma placa de bronze com os nomes do governador e do prefeito que exerciam suas funções na época do retorno.

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