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Rodrigo Wolff Apolloni

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Ô, calor danado!

Diante de um sintoma explícito de um “calor da gota” vivido 934 metros acima do nível do mar, passei a duvidar de minha própria crítica

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 | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Albari Rosa/Gazeta do Povo
 
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Confesso para, logo depois, cair do cavalo: sempre achei as reclamações médias do curitibano em relação ao calor em sua cidade natal no verão um tanto exageradas ou, para entrar no espírito crítico do tempo, coisa de cabra frouxo. Onde já se viu, afinal, falar em uma lendária “canícula curitibana”, calor do cão do piá do Pilarzinho, quando, neste exato momento, quatro quintos dos municípios do país registram temperaturas máximas entre cinco e dez graus mais elevadas que as nossas?

É exatamente quando, em uma dessas noites de calor no Alto da XV, me flagro fazendo algo que jamais havia feito, nem mesmo na semana recente passada no Espírito Santo sob um céu azul eterno e temperaturas médias de 35 graus: dou-me conta de estar abrindo o congelador para vampirizar (chupar, mesmo) as formas de gelo cujo conteúdo ainda não tivera tempo de se solidificar.

Segundo os cientistas, em termos de insolação explícita Curitiba está pau a pau com Moscou

Diante desse sintoma explícito de um “calor da gota” vivido 934 metros acima do nível do mar, passei a duvidar de minha própria crítica. Pois então, camiseta suada e ventilador de teto, não é que o calor curitibano tem lá seu poder?

A primeira justificativa, tomando como elemento de comparação a referida experiência capixaba, é a da nossa falta de vento. Como lá venta o tempo todo, o calor, por mais terrível que seja, dá uma trégua aos viventes. Para nosotros, restam o forno no alto da montanha e aquele ar meio viscoso. Outra justificativa é a do sol, que, afirmam os meteorologistas, costuma aparecer mais em Nova York, Londres e Berlim que por aqui. Segundo os cientistas, aliás, em termos de insolação explícita Curitiba está pau a pau com Moscou. Logo, quando o astro-rei resolve brilhar em pleno verão, a resposta psíquica do curitibano médio é a de que ele está no Congo.

Por fim, estaria a nossa imbatível variação térmica, que faz com que saiamos de casa com casacos pela manhã e sintamos aquele desconforto crescente à medida que os ponteiros do relógio avançam para o meio-dia e além. Como nem todos se sentem tão à vontade para tirar e ficar carregando as próprias roupas – eu, particularmente, sou desses conservadores que sofrem em silêncio dentro do próprio moletom –, o calor aumenta ainda mais.

De resto, cada um desses fatores colabora vivamente para alimentar a percepção coletiva dos nossos próprios calorões, essa lenda que vamos reafirmar, mais curitibanos do que nunca, enquanto tomamos sorvete no Gaúcho ou na Formiga tecendo sagas sobre a geada dos nossos lendários invernos.

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