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Questão agrária

Confronto entre caseiros, dono de fazenda e sem-terra na região de Ponta Grossa

O conflito ocorreu na Fazenda São Francisco II um dia após a decisão da Justiça que determina desocupação do MST

  • Rodrigo Kwiatkowski da Silva, especial para a Gazeta do Povo
  • Atualizado em às
Polícia Militar negocia com grupo para fim do conflito. A PM chegou a disparar balas de borracha para conter enfrentamento |
Polícia Militar negocia com grupo para fim do conflito. A PM chegou a disparar balas de borracha para conter enfrentamento
 
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O conflito entre trabalhadores rurais sem-terra, caseiros e família do tenente-coronel reformado Waldir Copetti Neves tornou-se mais violento na tarde deste sábado, na fazenda São Francisco II, em Ponta Grossa. Os sem-terra expulsaram caseiros e familiares de Neves de um acampamento montado ao lado da ocupação, em meio a uma plantação de soja. Dois funcionários da fazenda e uma das filhas de Neves, Gabriela, 20 anos, ficaram feridos com gravidade e foram encaminhados ao Hospital Santa Casa pelo Samu.

O enfrentamento começou às 15h30, quando integrantes do MST ultrapassaram uma área de isolamento de 150 metros, estabelecida entre ocupantes, proprietários e a polícia. A zona neutra separava os acampamentos do Movimento e dos caseiros, este último montado por Neves para acompanhar a movimentação no local e tentar impedir o aumento da ocupação. Com o avanço, os sem-terra ocupam agora uma área maior na São Francisco II. Segundo Neves, eles já estão na fazenda ao lado, a São Francisco I, a 600 metros da sede das duas fazendas.

Um grupo de aproximadamente doze pessoas, entre elas Gabriela Neves, estava no local quando tudo começou. A família afirmou que ela foi agredida com socos, chutes e desmaiou. Outras três pessoas teriam se ferido – dois funcionários identificados apenas como Oswaldo, 66 anos, e Sebastião Eugênio, 40. No momento em que os sem-terra avançavam, os acampados de Neves comunicaram à sede da fazenda e a família desceu ao local. “Fomos lá para resgatar a minha filha, que estava sequestrada. Quando fomos pegar a Gabriela não teve conversa, eles queriam confronto. Deram um tiro no carro da minha outra filha e quebraram o carro com a gente dentro”, narra Neves. Ele, família e funcionários se retiraram a cerca de um quilômetro adiante.

Ambos os lados acusam um ao outro como o grupo que deu início ao conflito durante a tarde. Segundo os sem-terra, os funcionários estavam armados e cercaram o acampamento para intimidar os ocupantes, motivo pelo qual resolveram revidar. “Nós avançamos em resposta ao que eles fizeram e o que aconteceu depois foi decorrência disso”, argumentou Gabriela Caramuru, porta-voz do MST no local. “O coronel Neves contratou jagunços, pagos a R$ 30 por dia, para nos intimidar. Hoje à tarde eles cercaram o acampamento e nós chamamos a polícia porque eles estavam atirando”, acusa. Os sem-terra afirmaram ter fotografado e filmado supostos funcionários de Neves e do arrendatário da fazenda portando armas de fogo.

Chegada da polícia

Quando a Polícia Militar chegou ao local, um grupo de aproximadamente 50 sem-terra subia a estrada que contorna a plantação de soja, obrigando proprietário, família e empregados a recuarem lentamente em direção à saída. Durante o avanço, a PM chegou a disparar balas de borracha para conter a marcha. Davi Silva, 19 anos, ficou ferido no ombro, de raspão. Em seguida, em negociação com o MST, ficou estabelecida uma nova fronteira entre os dois grupos, a 150 metros de onde estavam os proprietários. Os sem-terra colocaram uma cerca de arame farpado no local e abriram uma trincheira na estrada, impedindo a passagem de veículos.

ReintegraçãoA propriedade está ocupada pelo MST há oito dias e o mandado de reintegração de posse, expedido na última quarta-feira pelo juiz Fábio Marcondes Leite, da 4.ª Vara Cível de Ponta Grossa, ainda não foi cumprido pela Secretaria de Segurança Pública (SESP). Segundo a Secretaria informou durante a semana, é necessário programar a desocupação.

“Isso que aconteceu hoje é culpa da Secretaria de Segurança, que ainda não cumpriu o mandado. Houve omissão do secretário de Segurança (Luiz Fernando Delazzari) e eu já entrei com uma representação contra ele no Ministério Público”, aponta Waldir Copetti Neves. Ele afirma ainda que não havia ninguém armado no grupo, ao contrário do que afirma haver pelo lado dos sem-terra. “Se nós tivéssemos armas, não teria acontecido o que aconteceu. Lá do lado deles não tem ninguém com um arranhão, porque não temos arma”, rebateu Copetti Neves.

Para a esposa Vanusa Hoffman, o MST elegeu Neves como alvo. “Hoje eu estive no meio de uma guerra, não de uma invasão. Eles vieram para matar o coronel”, afirma.

Para o MST área ainda pertence à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e teria sido adquirida de forma irregular, motivo pelo qual pleiteiam a fazenda para reforma agrária.

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