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Dia das Crianças é boa hora para ensinar sobre consumo consciente aos pequenos

Crianças são mais vulneráveis à publicidade. Lições sobre consumo saudável ensinam os pequenos a lidar também com frustrações

  • Carolina Pompeo
Jerussa Ramos: ensinando os pequenos Gabriel e Lis a se desapegarem dos brinquedos. | Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo
Jerussa Ramos: ensinando os pequenos Gabriel e Lis a se desapegarem dos brinquedos. Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo
 
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Às vésperas do Dia das Crianças, a cena é comum: lojas de brinquedos e eletrônicos lotadas; crianças em polvorosa, divididas entre três ou quatro sonhos de consumo infantis; pais negociando com os pequenos – é preciso escolher um só. O 12 de outubro está entre as datas campeãs de consumo entre os brasileiros, perdendo apenas para o Natal. Seja porque a publicidade dirigida às crianças não dá trégua, seja por causa do sem-fim de opções a seduzir os filhos, é também uma data em que pais se surpreendem perguntando: o consumismo alcançou também as crianças?

Na avaliação de Maísa Pannuti, doutora em educação e professora do curso de Psicologia da Universidade Positivo, as crianças de hoje não são essencialmente mais consumistas – o que acontece é que a exposição ao consumo e à publicidade são maiores, impactando a forma como elas entendem o consumo. Mas há salvação, e ela começa em casa, com os pais controlando seus próprios impulsos consumistas e adotando estratégias para ensinar às crianças formas mais saudáveis de consumir.

Escolher é preciso

Para driblar eventuais ímpetos consumistas dos filhos, Jerussa Ramos, 35 anos, optou por ensiná-los a escolher. No Natal e no aniversário, Gabriel, 12, e Lis, 7, podem escolher o que desejam ganhar – presente ou um valor em dinheiro. Mimos extras implicam uma boa avaliação do armário de roupas e de brinquedos para decidir o que pode ser doado.

“Fazemos assim para que eles não tenham em excesso. Consumismo é isso: ter em excesso, não usar o que tem e comprar mais. Ensinei os dois que o que não é usado deve ser doado para quem precisa. Agora, eles mesmos já olham para as próprias coisas e separam para doação”, conta a mãe.

Outra estratégia adotada por Jerussa é estimular os filhos a trocarem brinquedos e livros em feiras organizadas com esse propósito. “É uma boa forma de ensinar que nem tudo precisa ser comprado e que aquele brinquedo que eles não querem mais não precisa virar lixo e pode ser bem aproveitado por outra pessoa. É um exercício de desapego.”

Aprender a dizer não

Outro erro bastante comum cometido pelos adultos é, diante da dificuldade de impor limites aos desejos dos filhos, recorrer ao clássico “Não tenho dinheiro” quando, em muitos casos, as razões são outras.

A farmacêutica Helena Duarte, 38, tenta justificar cada “não” dito à filha, Anna Vitória, 9, com argumentos lógicos, para que a menina entenda não apenas que não pode ter tudo o que deseja, mas que ter tudo não é necessário.

“Algumas coleguinhas usam mochilas de R$ 800. A Anna pediu muito, mas eu disse não. Expliquei para ela que o valor da mochila é a renda mensal de muitas famílias. Acho que todo ‘não’ deve vir com um argumento. Eu tento explicar que ela não precisa daquilo, que ela já tem algo parecido ou que não tenho dinheiro no momento.”

Maísa considera a atitude um acerto. “Usa-se muito o recurso financeiro ao invés de se aproveitar o momento para ensinar. O aprendizado acontece quando explicamos a verdade para a criança: ‘Não, porque você não precisa disso; não é hora de ganhar presentes; esse não é um bom produto’. A criança tem que aprender que nem sempre vai ter o que quer, mas tem que entender o porquê.”

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