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Legislação

Criança tem direito à pensão antes mesmo de nascer

Lei garante à mulher aparo para despesas já na gravidez. Prova da paternidade, agora, precisa ser do homem

M., grávida de 6 meses: notas fiscais para cobrar do pai da criança as despesas na Justiça |
M., grávida de 6 meses: notas fiscais para cobrar do pai da criança as despesas na Justiça
 
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Desde o último dia 6, as mulheres não precisam esperar pelo nascimento do filho para receber pensão alimentícia da criança. Sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Lei 11.804/08 permite que as mães recebam o benefício do suposto pai já a partir da gravidez, mesmo sem comprovação biológica de paternidade.

Pelo risco que poderia causar à criança, o exame de DNA durante a gestação foi vetado da lei. Entretanto, para receber a pensão, não basta apenas indicar o nome do suposto pai. O advogado Rodrigo da Cunha Pereira, presidente do Instituto Brasileiro de Direito da Família (IBDFAM), explica que, para o juiz expedir o pagamento de pensão durante a gravidez, a mulher deve apresentar indícios de que se relacionou com o homem apontado como pai. Entre esses indícios estão fotos, cartas, mensagens de e-mail e celular ou mesmo relatos de testemunhas. “A maioria das mulheres sabe quem é o pai. Mesmo assim, ela terá de apresentar indícios substanciosos. Porque, se não for comprovada a paternidade, o homem pode mover ação de indenização e danos morais”, explica Pereira.

O presidente do IBDFAM comenta ainda que, com o direito de receber pensão ainda na gravidez, o ônus da prova de paternidade se inverte, passando da mulher para o homem (veja texto ao lado). “Com a nova lei, quem vai ter de pedir o exame de DNA para comprovação de paternidade é o homem, não mais a mulher”, ressalta. Dessa forma, aponta a advogada Andrea Bahr Gomes, especialista em Direito de Família, o pai não terá mais como fugir de suas responsabilidades. “É muito comum os homens desaparecerem quando o oficial de Justiça tem de entregar a intimação para processo de prova de paternidade”, afirma.

M., que prefere não ter o nome identificado, 28 anos e grávida de seis meses, deve ser uma das primeiras a se beneficiar da nova lei. Quatro dias após a sanção, ela procurou a Promotoria de Justiça nas Comunidades do Ministério Público (MP) – responsável por mover ações de comprovação de paternidade em Curitiba e região metropolitana – para tentar assegurar o direito da criança. “Antes eu ainda tentei um acordo. Mas ele não quis e até me propôs aborto”, conta.

M. calcula ter gasto até agora R$ 2 mil com a gravidez. As despesas vão desde exames médicos e vitaminas indicadas pelo médico até o enxoval da criança. “Guardei todas as notas fiscais. Pretendo ser compensada por isso também, já que a responsabilidade não é só minha”, afirma. Como o plano de saúde que tem cobre apenas 70% do valor dos procedimentos médicos, M. calcula que vai gastar mais R$ 2,1 mil no parto, fora os custos até o nascimento da criança.

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