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Crianças planejam a Curitiba de 2024

Projeto Urbanista Mirim, desenvolvido na rede municipal de ensino, inclui os alunos do ensino fundamental na discussão sobre os rumos da capital no ano de revisão do Plano Diretor

Alunos do CEI do Expedicionário descrevem a cidade que desejam daqui a dez anos. Projeto se estenderá a toda a rede municipal |
Alunos do CEI do Expedicionário descrevem a cidade que desejam daqui a dez anos. Projeto se estenderá a toda a rede municipal
 
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Curitiba poderia ter menos poluição e carros nas ruas e voltar a ser referência em mobilidade urbana em 2014, projeta Matheus Eduardo Barbosa Ferreira. Já para Gabriely Vitória d’Alves Antunes, a capital também poderia ter mais segurança, uma educação melhor e nenhuma pichação. Os desejos podem ser comuns a vários moradores da cidade, mas foram algumas das respostas dos dois alunos, de 9 anos, do Centro de Educação Integral (CEI) do Expedicionário, no Novo Mundo, quando questionados sobre como gostariam que Curitiba fosse daqui a dez anos.

A escola é uma das que participa do projeto Urbanista Mirim, que envolve os alunos da rede municipal de ensino e suas famílias na discussão sobre urbanização e a cidade que se quer construir para o futuro no ano de revisão do Plano Diretor de Curitiba. “Não são só os adultos que precisam pensar a cidade para daqui a 50 anos. As crianças é que serão os adultos e precisam pensar no que querem para o bairro e para a cidade, porque isso pertence a elas”, argumenta a pedagoga do Ippuc Graciette Lyane Andrade.

O piloto começou na Escola Municipal Papa João XXIII, em março, e está sendo expandido para todas as 184 escolas da rede. A princípio, as oficinas são desenvolvidas em 36 centros de educação que já mantinham um trabalho com o jornal eletrônico “Extra, Extra!”.

Coordenadora desse projeto, a professora Silmara Campese Cezário ressalta que a atividade, além de integrar a família do aluno na discussão, faz com que as próprias crianças comecem a desenvolver senso crítico. Mesmo com pouco tempo, ela diz que é notável o interesse dos alunos em ler e escrever para participar das oficinas. “O projeto incentiva a escrita e a oralidade, além de aumentar o vocabulário das crianças. Há evolução e já percebemos um nível elevado nas produções”, conta.

Na CEI do Expedicionário, quem comanda as atividades do jornal é a professora Priscila Markir Barth. Ela conta que começou o trabalho por meio de um outro projeto, o Curitiba Ontem, Hoje e Amanhã. Como muitas crianças ainda não conhecem outros bairros ou mesmo o centro da cidade, eles se dedicaram a pesquisar como é a cidade. Depois, compararam com o passado, como eram as construções, transportes e parques. “A partir de todas essas descobertas, comparamos as transformações que ocorreram na cidade. Após discussões, começamos a imaginar como seria Curitiba no futuro”, conta.

O resultado do trabalho está nas paredes da escola, em um mural. Papeis em branco e uma caneta foram deixados por lá para que os pequenos escrevessem quando quisessem, e não foram só eles que deixaram os desejos para a futura Curitiba. Já recheada de sugestões, as paredes também guardam os pedidos de pessoas da comunidade que passaram pela escola em diferentes atividades.

Estímulo ao debate tem de vir desde cedo

A diretora Ana Berenice Horning Sanchez está no CEI do Expedicionário desde 1989. Ela viu a pequena invasão no Novo Mundo crescer e seus primeiros alunos já levam os filhos para a escola. “Me sinto um pouco avó dessas crianças”, conta. Para ela, a grande virtude de um projeto com tantos eixos temáticos é a formação para cidadania.

Ela lembra que há vinte anos um aluno da escola já questionava porque o terreno (então baldio) que ficava nos fundos não era usado para uma horta comunitária. Com o projeto Urbanista Mirim, a diferença é que a voz deles extrapola os muros da escola. “Hoje as crianças crescem com uma visão mais ampla do mundo e estão participando de decisões. Elas são formadas para serem cidadãos políticos, atuantes na sociedade”, diz.

E os pequenos têm opinião. Estimulado pelo debate iniciado nas aulas, Matheus Eduardo Barbosa Ferreira, de 9 anos, conta que gosta muito de aprender sobre mobilidade urbana e nas palavras inocentes do menino há um fundo de verdade. “Tem muita família que tem carros, mas poderiam reduzir: dar carona, andar de bicicleta, a pé. Quem não tem carro ou é ruim para dirigir, pode andar de ônibus. E o prefeito pode comprar mais ônibus.”

No que depender dos jovens planejadores, o trânsito fica no centro das atenções. Gabriely Vitória d’Alves Antunes prefere andar de carro, mas não do jeito que está hoje. “Poderia ter mais guardas, mais semáforos e segurança”, diz. Se vem aí uma geração de planejadores urbanos, só o tempo dirá. “São tantas coisas divertidas que aprendemos que nem sei o que quero ser quando crescer.”

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