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Ação Pastoral

Culto, lanche e prosa dão novo futuro a moradores de rua

Herbin Benavides orienta pessoas em situação de mendicância e drogadição. Começou sozinho, mas agora tem a companhia de 45 voluntários

  • Rafaela Bortolin
Primeiro contato de Herbin com os moradores de rua foi no Passeio Público, no Centro de Curitiba |
Primeiro contato de Herbin com os moradores de rua foi no Passeio Público, no Centro de Curitiba
 
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Movido pela vontade de trazer um futuro diferente para pessoas ignoradas pela sociedade, há dois anos e meio o cineasta e pastor voluntário na Primeira Igreja Batista de Curitiba (PIB) Herbin Benavides tem um compromisso inadiável nas manhãs de domingo: dedicar tempo, amor e muita solidariedade aos seus “meninos”, como ele carinhosamente chama um grupo de cerca de 120 moradores de rua, prostitutas e travestis que ficam no Passeio Público.

Segundo o pastor, cerca de 90% dos participantes são moradores de rua. Muitos têm família e outros vêm de outras cidades. Cerca de 80% deles são usuários de drogas ou alcooli­­stas. “O propósito do trabalho é mostrar o amor de Deus, que Jesus se importa com eles e pode operar milagres na vida de cada um desses ‘meninos’. Quero fazê-los se sentirem importantes e verem que podem voltar a ser parte da sociedade. Eles não são lixo, são pessoas que merecem respeito, atenção, amor e carinho.”

Natural do Chile e morando em Curitiba há cinco anos, o pastor teve essa ideia em 2009, quando levava sua filha para o Colégio Estadual do Paraná e via os moradores de rua que ficavam no Passeio Público. “Deus tocou meu coração e fui vendo a necessidade de me aproximar daquelas pessoas que eu via sujas, catando comida do lixo e vivendo sem perspectiva naquele local.”

Bastaram algumas semanas para ele decidir “ir a campo”, encher uma mochila com sucos e sanduíches e ter contato com a realidade das pessoas que via no Passeio Público. “No começo, eram quatro ou cinco meninos, mas fui me aproximando, mostrando que tinha boas intenções e logo o grupo foi se formando. Nessa época, eu nem falava português, então só conseguia me comunicar no idioma do amor e do abraço, mas isso não impediu que nos comunicássemos perfeitamente.”

Hoje, as reuniões contam com meia hora de culto, momentos de testemunho e um lanche, formado por leite com achocolatado, café, suco e dois sanduíches para cada morador em situação de rua. Em média, são 120 participantes por fim de semana.

Natal

Com o crescimento no número de participantes, em 2011, Benavides diz que decidiu colocar em prática um projeto ainda mais ousado: realizar uma confraternização de Natal e mostrar ao grupo o verdadeiro sentido desta data. “Muitas pessoas ajudaram, contamos com voluntários que também abraçaram a nossa causa e conseguimos fazer um churrasco para 50 pessoas, com carne, pão e mais cem panetones para serem distribuídos entre eles.”

Segundo Benavides, neste dia, ele se sentiu ainda mais confiante para continuar o trabalho. “Sempre brinco que foi o milagre da ‘multiplicação do churrasco’. Neste dia, fizemos kits para 50 pessoas, que era o número que sempre aparecia todos os domingos. Porém, logo contamos 88 pessoas no culto. No final, meu filho comentou que todos comeram, repetiram, alguns serviram um terceiro prato e ainda sobraram 11 bifes”, relembra, orgulhoso.

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Sete pessoas estão internadas em reabilitação graças aos encontros coordenados por Herbin Benavides nas manhãs de domingo no Passeio Público. “São pelo menos seis pessoas reabilitadas e três que estão devidamente empregadas. O mais valioso para nós é vê-las recuperadas. Não importa a quantidade dos que conseguiram se reabilitar. Se fosse somente um, eu me sentiria plenamente gratificado por saber que nosso trabalho mudou uma vida para melhor.”

O sonho do pastor agora é ter um prédio equipado para ser um centro de triagem para os participantes dos encontros que queiram tentar a reabilitação. “É um processo trabalhoso, porque precisamos prepará-los, fazer exames médicos e realizar a libertação espiritual para que eles comecem a reabilitação. Seria importante que empresários nos ajudassem a viabilizar isso e ampliassem o nosso trabalho.”

Voluntários

Empolgado com os bons resultados, o pastor diz que o trabalho não tem data para acabar e que qualquer ajuda é bem-vinda para am­pliá-lo. Hoje, o grupo conta com 45 voluntários de várias igrejas. “Contamos com a ajuda de qualquer pessoa que quiser fazer parte da nossa equipe e dar dignidade para esses moradores de rua.”

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