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Tecnologia

Curitiba, de cidade ecológica a capital nerd

De olho na retenção e atração de novos talentos, cidade aposta numa matriz de inovação em seu plano diretor

Guto de Lima e André Pegorer, da Nex Coworking |
Guto de Lima e André Pegorer, da Nex Coworking
 
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Graças a seus parques urbanos, Curitiba já figurou na lista das cidades mais ecológicas do mundo. Agora, é outro título que anda no alvo dos curitibanos: o de “capital nerd”. Criar um ambiente favorável à inovação, que atraia e retenha talentos ligados à tecnologia, é um desafio que poder público, iniciativa privada e instituições de ensino terão de vencer juntos. De olho no futuro, o novo plano diretor contará, pela primeira vez, com uma matriz de inovação. O assunto foi discutido ontem, no Seminário Curitiba do Amanhã, que reuniu especialistas de várias áreas para pensar a cidade que queremos na próxima década.

INFOGRÁFICO: Confira os passos que Curitiba terá que dar para atrair e reter os nerds

O diretor de Planejamento e Políticas da Secretaria de Informação e Tecnologia de Curitiba, José Pugas, explica que o fomento ao ambiente da inovação passa menos por incentivos fiscais – que acabam criando empresas dependentes e pouco competitivas no mercado – e mais pela articulação colaborativa entre os agentes desse ecossistema. “É um novo ciclo econômico, induzido de forma comportamental, sem gasto de recurso público.”

Entre os passos concretos rumo à “nerdice”, Pugas destaca um novo zoneamento, que permita ambientes de inovação em toda a cidade, a inclusão do coworking no Código Nacional de Atividades Econômicas, a formação de professores voltada ao empreendedorismo e à inovação, e a criação de um programa municipal de formação para empreendedores. “Inovação não necessariamente é tecnológica. Pode ser uma padaria, cujo saco de pão seja suporte para publicidade. Queremos um jeito curitibano de fazer inovação, inovar em cadeias tradicionais de negócios.”

Segundo a Agên­­cia Curiti­­ba de Desen­­volvimento, o município tem 22 mil profissionais no segmento da economia criativa – que inclui áreas como propaganda, arquitetura, artes, design, moda, filmes, softwares e jogos. Dados do Ipea do ano passado mostram que a capital é a segunda entre 22 cidades com saldo positivo na migração de talentos (pessoas com nível superior ou mais), ficando atrás apenas de Brasília. A presidente do órgão, Gina Paladino, analisa que os chamados nerds buscam qualidade de vida, proximidade com São Paulo e infraestrutura de conectividade – trazida pelo cabeamento de fibra óptica da Copel.

“Ainda precisamos avançar no melhor aproveitamento do centro, da ocupação dessa parte histórica”, afirma. Segundo Gina, o nerd tem uma ligação forte com o centro, pela facilidade de lazer e de deslocamentos com transporte alternativo. “Estamos fazendo um trabalho de diálogo com as incorporadoras, para que conheçam esse público e as novas oportunidades de negócios para essa área subutilizada.”

O coordenador do mestrado e doutorado em Gestão Urbana da PUCPR, Carlos Hardt, acrescenta que a população de Curitiba sempre esteve aberta a mudanças e novidades. “Isso facilita criar um habitat de inovação. Éramos referência no tema há 15 anos, mas perdemos espaço. Podemos mudar isso, basta querer.”

Coworking amplia rede de contatos

José Pugas reforça que somente o compartilhamento de um mesmo espaço por dezenas de jovens empreendedores não configura “ambiente de inovação”. “Um levantamento do Sebrae aponta 18 coworkings em Curitiba, mas alguns deles não são ambientes de inovação. Por isso, a necessidade de preestabelecer indicadores e metas: taxa mínima de ocupação, taxa mínima de mortalidade dos empreendimentos e taxa de conectividade entre os eventos”, sugere.

Criado há três anos em Curitiba, o Nex Coworking e Inovação agrega 160 pessoas em 100 diferentes empreendimentos, num prédio histórico do Batel. “Temos eventos de cidades inteligentes acontecendo aqui, investidores começando a olhar para nossa economia, é um momento favorável. Dizem que Curitiba é mercado teste para tudo, faz sentido”, afirma Guto de Lima, sócio do fundador do espaço, André Pegorer.

Lima garante que a união de empreendedores não tem relação com barateamento de custos. O propósito é construir uma comunidade, em que a interação ultrapasse o âmbito profissional. “As pessoas descobrem que o trabalho não é um fardo, mas uma forma de revelar seu potencial. Vida e trabalho se misturam. Temos uma área social, fazemos festa, saímos juntos.” Ele lembra de uma dupla que estava criando um aplicativo de controle de dieta e descobriu que, em Israel, havia um hardware capaz de “scannear” o prato e identificar os alimentos. Mas as tentativas de contato com a startup israelense foram frustradas. “Um outro empreendedor que tem operação conosco conseguiu fazer a ponte entre eles. O mais interessante é que, no momento da reunião, um terceiro coworker que não tinha nada a ver com o assunto acabou atuando de intérprete.”

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