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Ruas lotadas: decadência do transporte coletivo é apontada como um dos fatores para a compra de mais veículos na cidade
Trânsito

Curitiba tem mais carros por pessoa do que qualquer capital

Estudo põe frota curitibana à frente da de São Paulo e do Rio de Janeiro. Para especialistas, renda alta seria um dos motivos da proliferação de automóveis

Texto publicado na edição impressa de 27 de setembro de 2008

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De 1999 a 2006, Curitiba passou da 5ª para a maior frota de veículos proporcionalmente à população. Levantamento divulgado ontem pela Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) sobre o trânsito nas 27 capitais põe a média de Curitiba acima inclusive das duas maiores cidades brasileiras: São Paulo (3ª colocada) e Rio de Janeiro (13ª colocada).

O estudo aponta que, de 1999 a 2006, o número de veículos na capital paranaense aumentou 44,7%. A frota passou de 684.212 para 990.542. Com cerca de 1,8 milhão de habitantes, a média chegou a um veículo para quase dois habitantes em 2006. Atualmente, a capital paranaense já ultrapassou a marca de 1 milhão de veículos, conforme dado do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran).

Para o engenheiro civil Eduardo Ratton, professor do Departamento de Trânsito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a liderança de Curitiba se deve principalmente a três fatores: a queda na qualidade do transporte público coletivo; a insegurança; e o alto poder aquisitivo do curitibano. “O transporte coletivo de Curitiba não está defasado só nos horários de pico. Um indicativo disso é que as pessoas cada vez mais optam pelo carro. Até porque hoje é muito fácil adquirir um veículo, com financiamento em 60 prestações ou mais”, argumenta.

A secretária Camila Ferreira, 22 anos, é um exemplo disso. Há dois anos ela comprou um Ford Ka e desde então vai todos os dias para o trabalho e faculdade de carro. Os R$ 390 mensais do financiamento em 32 vezes representam 40% de seu salário. Por mês, são mais R$ 200 de combustível, totalizando R$ 590. Se continuasse a usar o transporte coletivo, gastaria apenas R$ 152 por mês – quatro passagens diárias. Mesmo deixando de economizar R$ 438 por mês, Camila nem pensa em deixar o carro. “Além de ir no ônibus lotado, eu chegava todo dia atrasada na faculdade quando não tinha carro. O trajeto que eu fazia em 40 minutos agora faço em 15. Dá até tempo de estudar antes da aula”, ressalta.

Ratton ressalta ainda a insegurança como fator que empurra o curitibano para dentro dos carros. Inclusive em trajetos de curta distância. “Antigamente, as crianças iam a pé para a escola. Hoje qual pai deixa o filho caminhar cinco quadras sozinho? O risco de ser assaltado é muito grande”, diz.

Sobre a influência do poder aquisitivo na aquisição de mais carros, Ratton ressalta que não ocorrem aumentos da frota em regiões pobres; só em áreas onde a população tem poder aquisitivo mais alto. Mesma opinião do presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Augusto Canto Neto.

Para ele, Curitiba segue tendo o melhor transporte coletivo do Brasil – a Rede Integrada de Transporte (RIT) atende a 2,5 milhões de pessoas de toda a grande Curitiba por dia, 1,5 milhão só da capital. “Apesar de sermos o melhor transporte público, não tem como proibir a pessoa de adquirir um carro. Até porque a renda per capita do curitibano, de aproximadamente R$ 1,5 mil mensais, é quase o dobro da média brasileira”, enfatiza.

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