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Elisângela, a “semeadora” de cartas

Mulher cria blog para divulgar perfil de quem mantém o prazer pela troca de correspondências

  • Felippe Aníbal
Elisangela Martins, a Lily, levou a paixão por cartas para um blog, em que concentra centenas de pessoas dedicadas a manter viva a tradição da correspondência em papel. | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Elisangela Martins, a Lily, levou a paixão por cartas para um blog, em que concentra centenas de pessoas dedicadas a manter viva a tradição da correspondência em papel. Jonathan Campos/Gazeta do Povo
 
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O calo no dedo médio da mão direita de Elisangela Martins, a Lily, de 36 anos, é quase um símbolo de uma vida dedicada ao papel e à caneta. Ao longo de 20 anos, ela manteve correspondência com mais de 500 pessoas e acumula um acervo que passa de duas mil cartas, com carimbo dos mais diversos lugares. O hábito sobreviveu aos avanços tecnológicos, mas há cinco anos a rotina agitada afastou a escriba dos envelopes. Nem por isso, ela deixou a paixão de lado: criou um blog em que reúne perfis de quem quer trocar correspondências, para incentivar a seguir a tradição. “É uma forma de eu manter a memória dessas duas décadas em que me correspondi e fiz muitas amizades e de levar adiante esse gosto”, conta Lily, que há dez anos mora em São José dos Pinhais.

Desde 2009 no ar, o site (trocasdecartas.blogspot.com.br) já publicou o perfil de mais de dois mil interessados em se corresponder com novos amigos por meio de cartas. Nas postagens, as pessoas mandam endereço de e-mail, a cidade em que moram e três motivos pelos quais querem trocar missivas. O espaço acaba funcionando como uma espécie de rede social, em que é possível escolher correspondentes com interesses em comum.

Entre os cadastrados, estão escrevinhadores de todas as unidades da federação, além de pessoas de países como Espanha, Inglaterra, Irlanda e Japão. O blog já superou os 154,7 mil acessos, o que fez com que as atividades também se expandissem a uma página no Facebook. “Apesar de a internet e as redes sociais estarem matando as cartas, ainda tem muita gente que não abre mão do gostinho de ver o carteiro chegar. É uma experiência muito diferente”, destaca Lily.

O perfil de quem quer trocar cartas é vasto. Vai de crianças a idosos. As motivações também são variadas. Há quem aprecie escrever cartas pelo modo tradicional e intimista do meio de comunicação; há quem considere um hábito “vintage”; e quem queria apenas “fazer amizades” ou “encontrar um grande amor”.

Emoções

O blog já ajudou Fabiano Nissola, de 30 anos, a encontrar novos amigos por meio das cartas. O rapaz, que mora em Londrina, no Norte do Paraná, coleciona mais de três mil missivas – todas “guardadas com muito carinho”. Hoje, mantêm correspondência com cerca de 50 pessoas, enviando, em média, uma carta por mês a cada uma.

“Eu troco cartas porque podemos expor nossos sentimentos de alegria ou tristeza. Nos e-mails, redes sociais ou SMSs, as respostas podem ser imediatas, porém eles não conseguem demonstrar os sentimentos como numa carta”, definiu o rapaz. “A pessoa dedica o tempo dela para escrever. Assim, sempre posso reler e ver quanto capricho foi usado na correspondência”, completou.

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