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Ex-capital ecológica, Curitiba precisa reinventar sua marca

Após artigo do Le Monde que desmontou mitos sobre a capital paranaense, especialistas sugerem pontos fortes que podem ajudá-la a se destacar de novo

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Ex-capital ecológica, Curitiba precisa reinventar sua marca

O fim do mito curitibano voltou a ser debatido nos últimos três dias, durante a Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (CICI) 2014. Depois da polêmica matéria publicada no periódico francês Le Monde Diplomatique que abordava o tema, o assunto ganhou repercussão em redes sociais e as mesas de debates de especialistas em Urbanismo e mobilidade urbana.

No texto, o jornalista Thomas Badia Diego classificou a atual Curitiba como congestionada, poluída e socialmente desequilibrada. Para chegar a essa conclusão, ele citou engarrafamentos na Linha Verde, o crescimento populacional desenfreado das últimas décadas e os índices de violência da capital paranaense.

Elementos

Os indicadores analisados pela publicação francesa, _aliás, não deixam de inquietar curitibanos e não-curitibanos que moram na cidade. A taxa de homicídios da cidade ultrapassa a casa dos 20 por 100 mil habitantes – quase o dobro do verificado em São Paulo. A Organização Mundial da Saúde considera a violência endêmica quando a uma taxa acima de dez por 100 mil.

Já em relação à mobilidade urbana, a velocidade média dos ônibus não ultrapassa os 17 km/h, quando o ideal seria algo entre 20 km/h e 25 km/h. Assim como em São Paulo, a prefeitura começou a instalar faixas exclusivas de ônibus para tentar reverter esse quadro. Na capital paranaense, as faixas estão sendo instaladas em um trecho de 2,5 quilômetros na Rua XV de Novembro, entre a Avenida Nossa Senhora da Luz e Rua João Negrão. Com a medida, espera-se que haja um ganho de 5% na velocidade média de 11 linhas.

Para André Telles, um dos organizadores do Icities – fórum que ocorreu paralelamente a CICI 2014 –, Curitiba teve muitas marcas e hoje precisa se reinventar. “A cidade precisa mostrar seus pontos fortes. Curitiba já foi cidade sorriso, cidade modelo, cidade da mobilidade e ecológica. Mas isso não pode ser apenas uma marca, tem de ser um conceito de gestão e não pode mudar de gestão para gestão”, afirmou Telles, para quem Curitiba tem hoje características para se rum polo de inovação de atração de empresas startups.

A recriação de um conceito para a cidade, aliás, foi o que moveu a inscrição de 21 propostas para uma Curitiba mais criativa e inovadora. Eles se dividiram em eixos como mobilidade urbana, infraestrutura, tecnologias sociais, empreendedorismo, viver a cidade e eficiência. Ao todo, mais de 1,8 mil pessoas se inscreveram para participar dos fóruns, palestras e painéis do evento. Nos três dias do evento, mil pessoas passaram pelo espaço instalado na Universidade Positivo, desde jovens estudantes até empreendedores na área de tecnologia e ambientalistas.

Obras sustentáveis são negócio de empresa curitibana

Carolina Pompeo, especial para a Gazeta do Povo

A empresa curitibana de engenharia TecVerde apresentou no segundo dia da CICI 2014 a tecnologia de construção de casas sustentáveis desenvolvida em parceria com o Ministério da Economia da Alemanhã e com o apoio da FIEP.

O sistema construtivo industrializado desenvolvido pela TecVerde possibilita que a parte estrutural da casa seja produzida em fábrica – apenas a etapa de fundação da construção é feito em maneira tradicional. Assim, até 70% do empreendimento acontece na fábrica, eliminando o tradicional canteiro de obras, gerando menos desperdício de materiais e recursos naturais e reduzindo as emissões de carbono. Além disso, as obras ficam prontas em média em quatro meses, enquanto o modelo de construção tradicional demora o dobro.

Por enquanto, a licença da Tec Verde é para construir até quatro pavimentos, incluindo o térreo, mas a empresa já realiza pesquisas de desenvolvimento para aperfeiçoar a tecnologia para a construção de prédios com mais andares. Inaugurada em 2009, ergueu cerca de 300 casas sustentáveis no Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.

De acordo com a arquiteta Débora Rocha, gerente de experiência de consumo da empresa, o modelo de construção sustentável agrega valor ao imóvel depois de pronto, pois cada parte da estrutura tem uma função específica, como isolamento térmico e acústico e sistemas de aproveitamento de água da chuva e de luz solar.

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