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Crime do Morro do Boi

Farsa leva policiais para cadeia

Policiais civis e militares forjaram provas para inocentar Juarez Ferreira Pinto e incriminar um inocente, segundo investigações do Gaeco

  • Diego Ribeiro e Pollianna Milan
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Farsa leva policiais para cadeia

O crime do Morro do Boi voltou à cena com revelações sobre uma trama para inocentar Juarez Ferreira Pinto, condenado no ano passado a 65 anos e cinco meses de prisão pelo ataque a um casal de namorados em Mati­nhos, no litoral do Paraná, em 2009. Seis policiais foram presos pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) acusados de fraude processual com objetivo de tentar incriminar o vigilante Paulo Delci Unfried no lugar de Juarez. Estão detidos o investigador da Polícia Civil aposentado e irmão de Juarez, Altair Ferreira Pinto, conhecido como Taíco; o delegado José Tadeu Bello, ex-titular da delegacia de Matinhos; e quatro policiais militares do 9.º Batalhão de Paranaguá: Edison Pereira, Edmildo da Silva Mesquita, Paulo Roberto da Graça e Rodrigo Alves Barbosa. Um quinto PM, Renato Pereira da Silva, está foragido. Dirceu Killian de Paulo Fideles, conhecido como Adílson Gaivota, suspeito de tráfico de drogas e considerado peça-chave na farsa, também teve mandado de prisão expedido, mas já estava detido.

Segundo a investigação, conduzida pelo Gaeco, Unfried foi torturado e preso, envolvido em um enredo com quatro assaltos cometidos por um homem chamado Marcelo Gasparetto – assassinado em março do ano passado, em Curitiba – com o intuito de convencer a opinião pública de que o assassino do Morro do Boi ainda estava solto, enquanto Juarez estava preso. Na época, o fato levantou dúvidas sobre a autoria do crime e tumultuou a investigação. A Gazeta do Povo teve acesso a algumas informações da investigação.

Plano

Segundo o Gaeco, o plano teria sido organizado por Taíco em 16 de junho de 2009, após Monik Pergorari de Lima, namorada de Osíris del Corso (morto no crime) e sobrevivente do ataque, reconhecer Juarez. Taíco descobriu que o verdadeiro dono da arma usada no crime do Morro do Boi era Unfried. Em seguida, ele e os outros suspeitos, com o auxílio de Gasparetto – que tinha as mesmas características físicas de Unfried – teriam iniciado uma série de assaltos (ocorridos nos dias 18, 23 e 24 de junho de 2009). No último crime, houve um suposto abuso sexual da vítima.

Logo após a série de roubos, os policiais militares teriam abordado o carro de Unfried, no bairro Albatroz, em Matinhos. Dentro do porta-malas do veículo, num primeiro momento, foi encontrado um vídeogame furtado, um par de luvas pretas e uma camiseta preta com furos.

Depois da abordagem, segundo o Gaeco, Graça, Edmildo e Rodrigo saíram com o carro de Unfried após deixarem ele sob custódia de outra equipe da polícia. Cerca de uma hora depois, eles voltaram e levaram o vigilante até um matagal, onde começaram a pressioná-lo com ameaças para que confessasse os assaltos, inclusive atirando próximo ao ouvido de Unfried.

Em seguida, os policiais teriam levado o então suspeito para o destacamento da PM, onde a imprensa já o aguardava. Em uma segunda vistoria no veículo, já no destacamento, foi encontrado também um revólver 38 de cano curto, com cabo de madeira, com as mesmas características do usado no crime do Morro do Boi.

Convicção

Juarez foi condenado por latrocínio (roubo seguido de morte), tentativa de latrocínio e atentado violento ao pudor. O crime ocorreu no dia 31 de janeiro de 2009, no Morro do Boi, em Caiobá.

O delegado responsável pelas investigações na época, Luiz Alberto Cartaxo, disse que as prisões provam, mais uma vez, que o autor do crime foi Juarez Ferreira Pinto. “Hoje, finalmente, tudo se esclarece e a prisão do Taíco só confirma o que sempre tivemos certeza: o reconhecimento da vítima Monik era determinante.” Cartaxo lembra que, ainda durante as investigações, já desconfiava da ação do grupo de Taíco, que pretendia atrapalhar as investigações, e que isso foi levado aos promotores do Gaeco.

Um representante do Minis­­tério Público, que trabalhou na investigação da fraude processual, afirmou também que não resta dúvida de que Juarez é o autor do crime. “É uma convicção nossa, da Justiça e da polícia”.

A Gazeta do Povo tentou localizar os defensores dos suspeitos presos ontem, mas não teve sucesso. Até o fechamento desta edição, o advogado Nilton Ribeiro, que defendeu Juarez, ainda não havia definido se também representaria Taíco.

Ficha criminal

Prisão por porte de arma

O investigador Altair Ferreira Pinto, o Taíco, já havia sido preso em julho do ano passado durante a Operação Maresia II, também do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A acusação, na época, foi de porte ilegal de arma. O Gaeco também cumpriu um mandado de prisão contra a filha de Taíco por suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas na Vila Torres, em Curitiba. Os dois foram soltos dias depois da prisão. Além deles, outros quatro policiais foram detidos na operação.

Dirceu Killian de Paulo Fideles, conhecido como Adílson Gaivota e peça-chave na acusação feita contra Paulo Unfried, também foi preso durante a operação Maresia II. Na época, a polícia suspeitava do envolvimento dele na venda de drogas no litoral do Paraná.

Queima de arquivo

Marcelo Gasparetto, apontado pelo Gaeco como autor dos assaltos praticados para incriminar Paulo Unfried, em 2009, foi morto em Curitiba, em março de 2010. Segundo as investigações, o assassinato pode ter sido queima de arquivo. Gasparetto foi atingido por nove tiros, no bairro Botiatuvinha, em frente a uma estofaria da família. (DR)

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