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Uma árvore por habitante, a recomendação mínima da OMS para as cidades

Campina Grande, na Paraíba, tem como meta uma proporção de duas árvores por habitante. Já Nova York conseguiu plantar 1 milhão de árvores em oito anos. Entenda a diferença que esses números fazem na qualidade de vida dos centros urbanos

Bairro Batel é um dos 23 bairros de Curitiba com menos que 12 metros quadrados de área verde por habitante. | Antônio More/Gazeta do Povo
Bairro Batel é um dos 23 bairros de Curitiba com menos que 12 metros quadrados de área verde por habitante. Antônio More/Gazeta do Povo
 
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Já reparou quantas árvores há na sua rua ou bairro? Esse fator é importante para a qualidade de vida nos centros urbanos. A quantidade mínima preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 12 m² de área verde por habitante, e a ideal é de 36 m², cerca de três árvores, por morador. No mundo, a referência é Estocolmo: são 86 metros quadrados de área verde por habitante. Em teoria, quanto mais verde a cidade, melhor a qualidade do ar que se respira e mais agradáveis são a paisagem e o clima – as sombras criadas pelas copas, a umidade gerada pela vegetação em geral e a quantidade maior de área permeável são características que ajudam nesses aspectos (leia outras vantagens abaixo). Mas não basta ter quantidade. É preciso planejar muito bem onde e como se planta.

Talvez a cidade brasileira com a meta mais ousada hoje seja Campina Grande. A cidade do estado da Paraíba tem como objetivo fazer com que a cidade chegue a marca de duas árvores por habitante. Por ora, Campina Grande tem 0,08 árvore por morador, ou um déficit de 671 mil árvores em relação ao mínimo da OMS. Ainda nesta semana, cerca de 100 mudas de plantas típicas da região foram distribuídas para esse fim. As ações têm participação e orientação da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).

Tamanho não é necessariamente um impeditivo para uma cidade atingir metas de arborização. A megalópole Nova York, com seus mais de oito milhões de habitantes, conseguiu cumprir a meta de plantar 1 milhão de árvores em novembro 2015, dois anos antes do previsto lá em 2007, pelo projeto MillionTreeNYC, lançado pelo ex-prefeito Michael Bloomberg.

O projeto nova-iorquino focou principalmente áreas públicas e de convivência, como parques, calçadas e jardins, e contou com orientação para que as espécies plantadas fossem as corretas. Daqui para frente, porém, o desafio é cuidar do que foi plantado. Atualmente, a manutenção das árvores custa US$ 6,1 milhões anuais à prefeitura de Nova York. Para amenizar os custos, a cidade planeja uma nova campanha, batizada de “Ame uma árvore”, para incentivar a população “a cuidar do que plantou”.

Em Curitiba, a 5.ª grande cidade do país mais arborizada, segundo o Censo de 2010, 23 dos 75 bairros têm menos do que o mínimo recomendado pela OMS. Entre eles estão Batel e Água Verde, por exemplo. Já os bairros mais verdes da capital paranaense são aqueles que ficam no extremo Oeste da cidade, como São João, Lamenha Pequena, Augusta e Riviera.

Mais do que quantidade de áreas verdes, porém, a engenheira agrônoma e diretora de produção vegetal da Secretaria de Meio Ambiente de Curitiba, Erica Mielke, defende que a arborização de uma cidade precisa ser bem planejada. “A arborização é algo de longo prazo, por isso o olhar técnico é tão importante. Quando alguém planta uma árvore por conta [própria], dificilmente consegue ver como ela ficará daqui quatro ou cinco anos(...)”.

Ela também lembra que, de tempos em tempos, a escala da cidade muda. “Árvores que há anos eram vistas como adequadas para a paisagem de Curitiba, não são mais. As calçadas estão mais estreitas, os prédios mais altos, e assim por diante”. Por isso, Erica não recomenda que os cidadãos saiam por aí plantando árvores. O conselho, é ligar para o 156, o serviço de atendimento ao cidadão da prefeitura. “As demandas serão enviadas até nós e serão avaliadas. Se atendido o pedido de plantio de uma árvore, por exemplo, o cidadão terá gastado apenas um telefonema”. Todos os meses, segundo a diretora, a prefeitura planta uma média de mil mudas na cidade, seja por demanda da população ou por iniciativa da própria do Executivo municipal. “Recentemente, por exemplo, começamos o replantio de vegetação na Linha Verde. Foi uma necessidade que nós mesmos identificamos e estamos atendendo.”

Maciço vegetal

Em 2014, a Gazeta do Povo montou um mapa, com o auxílio do cartógrafo Luiz Miguez, que identificou os chamados “maciços vegetais” no espaço urbano, a partir de fotos de satélite de 2010. São áreas de 500 metros quadrados de copa de árvores. Veja abaixo quais regiões da capital paranense são as mais arborizadas:

Relevância

Entenda porque as áreas verdes são tão importantes nos centros urbanos:

Ar

As árvores são importantes filtros no ar das cidades. Além disso, elas fazem retenção de pó e de micro-organismos. Também reduzem a velocidade dos ventos e diminuem o nível de ruídos (poluição sonora).

Clima

As concentrações arbóreas contribuem para equilibrar as temperaturas: elas absorvem parte dos raios solares, evitando que esquente demais, e também não liberam toda a umidade do solo, para que haja frescor.

Solo

A falta de vegetação está ligada a consequências mais drásticas em enchentes e deslizamentos de terra, além de erosão. As árvores regulam os ciclos hídricos, como garantia de que não faltará água.

Visual

Está provado que o ser humano se sente melhor em áreas naturais. As concentrações vegetais conferem beleza cênica ao local, provocando conforto visual.

Diversidade

Só continua nascendo flor no jardim e frutos na horta porque há polinização, a maior parte feita por abelhas. Há um ciclo natural que não pode ser rompido para que a vida renasça. Além disso, as áreas arbóreas servem de abrigo para a fauna.

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