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Saúde

Genéricos. Devemos usá-los ou ignorá-los?

Eles são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária e custam menos que os remédios de referência. Mas há médicos que duvidam da eficácia dos medicamentos sem marca

  • Diego Antonelli, especial para a Gazeta do Povo
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Milhares de brasileiros chegam às farmácias todos os dias sem saber se devem ou não adquirir medicamentos genéricos – dúvida muitas vezes motivada pela postura de médicos que relutam em prescever esse tipo de remédio. Apesar de estarem há 13 anos no mercado brasileiro e contarem com o incentivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os genéricos ainda são vistos com receio por profissionais de saúde.

Muitos médicos não recomendam esse tipo de medicamento, o que leva os pacientes a adquirirem remédios de marca, geralmente 50% mais caros. Uma pesquisa realizada no ano passado pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste) apontou que 46% da classe médica tem dúvidas sobre a eficácia dos genéricos, e que 42% não tem o hábito de prescrever esse medicamento.

“Sei que os remédios de alguns laboratórios podem ser mais confiáveis, mas de forma geral esse tipo de medicamento não funciona”, avalia o neurologista Abouch Krymchantowski. Ele afirma que o tratamento de enxaqueca em vários de seus pacientes não teve efeito quando realizado com os medicamentos mais baratos. “Qual seria o milagre para o genérico ser tão barato e ter o mesmo efeito de outro muito mais caro? Será que o laboratório aceitaria ter um lucro menor? Não acredito nisso”, salienta.

O argumento de quem duvida da eficácia dos genéricos está ligado, geralmente, aos testes pelos quais esses remédios são submetidos. Segundo Abouch, as análises de equivalência realizadas entre os medicamentos de referência e os genéricos ainda estão aquém do ideal. “Os genéricos são testados apenas in vitro e não em vivos. Isso vai dar uma diferença enorme no organismo”, considera.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró-Genéricos), Odnir Finotti, rebate as críticas. Ele afirma que qualquer medicamento genérico tem o mesmo efeito do original. “Para chegar ao mercado, todos têm de demonstrar que são equivalentes aos de marca, não apenas no que se refere às concentrações de princípios ativos, mas à extensão e velocidade de absorção no organismo humano”, diz.

Quem defende os genéricos acredita que os lobbys das principais indústrias farmacêuticas do país exercem forte interferência para que parte dos médicos seja contrária aos genéricos. “Um dos fatores que podem colaborar para essa desconfiança deve estar ligado a cursos e viagens que empresas fabricantes de medicamentos de marca pagam aos médicos. Embora, na teoria, isso não devesse mudar a opinião do profissional”, afirma a farmacêutica e professora da Universidade Federal do Paraná Camila Costa.

Para médicos, qualidade depende do laboratório

De acordo com o farmacêutico Rogério Hoefler, do Centro Brasileiro de Informação sobre Medicamentos, ligado ao Conselho Federal de Farmácia, na teoria todos os genéricos deveriam ter a mesma eficiência dos originais. Entretanto, a preocupação dos médicos está ligada à qualidade dos laboratórios que produzem os fármacos. “Pode ser que eventualmente existam remédios mal elaborados. Aparelhos eletrônicos de diferentes marcas devem passar por uma bateria de testes antes de serem comercializados e mesmo assim alguns acabam não funcionando. O mesmo pode acontecer com os medicamentos”, afirma.

O cardiologista Marcelo Freitas tem avaliação semelhante. “Muitas vezes percebemos que alguns genéricos, dependendo do laboratório, não conseguem controlar a doença da mesma forma que o original ou até como um genérico de outra empresa. Alguns não podem ser considerados eficazes”, afirma.

Já a farmacêutica Camila Costa diz que não há provas científicas que atestem que os genéricos não funcionem. “A substância usada pelo de marca e pelo genérico é a mesma. O efeito será o mesmo. Os testes são rigorosos”, assegura. Ela ressalta ainda que a eficiência do medicamento depende do controle que a Anvisa exerce sobre os laboratórios.

O presidente da Pró-Genéricos, Odnir Finotti, afirma que todos os medicamentos genéricos têm os mesmos efeitos sobre o organismo. “Há um controle de qualidade que determina que todos são tão eficazes entre si e entre os de referência”, afirma. Em nota, a assessoria de imprensa da Anvisa informa que todos os genéricos apresentam os mesmos componentes e a mesma eficácia dos originais.

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