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Greve dos professores tem o apoio de 90% dos paranaenses

Levantamento aponta que 80% vê de modo positivo a ocupação da Alep por manifestantes; assembleia da APP-Sindicato define futuro da greve hoje

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Escola Nossa Senhora da Salete furou a greve dos professores | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Escola Nossa Senhora da Salete furou a greve dos professores Jonathan Campos/Gazeta do Povo
 
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A greve de professores e funcionários das escolas estaduais do Paraná é apoiada por 90% dos paranaenses. Os dados foram obtidos em levantamento encomendado pela Gazeta do Povo à Paraná Pesquisas. Os números mostram também apoio expressivo, de 80% das pessoas, sobre a ocupação da Assembleia Legislativa (Alep), ocorrida no dia 10 de fevereiro. O estudo indica ainda que 90% dos habitantes do estado ficaram sabendo da greve, tendo condições, inclusive, de citar parte dos motivos que levaram à paralisação.

O presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos (ABCOP), Carlos Manhanelli, usa a proximidade da função de professor na vida de todos para explicar o apoio à greve. “O professor não tem papel midiático, o papel do professor é presencial”, diz. Segundo ele, se a greve fosse de outra categoria, as estatísticas populares não seriam iguais. “O resultado da aprovação é excelente [para uma categoria em greve]”. Sobre os 20% que não apoiaram especificamente a ocupação da Alep, ele diz que se trata de um fenômeno cultural do brasileiro, que “não gosta de nenhum tipo de violência.”

Elve Cenci, professor de ética e filosofia política da Universidade Estadual de Londrina (UEL), salienta o atual cenário político para que o povo tenha uma visão positiva da greve. De acordo com Cenci, há também influência do fato de boa parte dos paranaenses possuir aderência a um discurso anti-PT (Partido dos Trabalhadores). “De repente, ganha o PSDB [Partido da Social Democracia Brasileira], e toma medidas [impopulares] de início de governo, assim como ocorreu no governo federal [do PT].”

O professor diz também que a população sente o peso de sentir, de repente, que o mundo fantástico das campanhas eleitorais não existe. O conjunto de medidas duras, independentemente da esfera de governo, fez com que os paranaenses abraçassem mais facilmente as manifestações, segundo ele. “No caso do estado, ocorreu uma crise de credibilidade do governo. Acabou se passando à sociedade que alguns devem pagar a conta, inclusive com a perda de direitos, como é o caso dos professores. Mas ninguém ouviu falar de cortes nos cargos de comissionados e redução de salário de deputados.”

O diretor-presidente da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, conta que o resultado de apoio à greve já era esperado. “Professor é uma das profissões pelas quais a população tem muito apreço”. Ele enfatizou o fato de a população ter informações sobre a greve e ter conseguido citar vários motivos que culminaram na paralisação. “É uma briga ingrata. O governo tendo razão ou não, é muito difícil brigar contra o professor.”

Maioria liga mobilização a salários atrasados

O “pacotaço” de austeridade proposto pelo governo do Paraná foi divulgado como o principal motivo da greve dos professores. Apesar disso, as pessoas que responderam à pesquisa lembraram mais de temas genéricos para justificar o motivo de os docentes estarem de braços cruzados. O presidente da ABCOP, Carlos Manhanelli, explica que isso ocorre porque as pessoas têm diferentes formas de acessar a informação.

Segundo ele, quando há a visualização das palavras “professor” e “greve” na mesma frase, para boa parte dos leitores, ouvintes ou telespectadores é possível concluir que se trata de uma briga porque há salários atrasados e busca por melhores benefícios. “A comunicação é um veículo egoísta, falo do que eu quero e as pessoas interpretam da maneira que querem. Não há como comunicar uma informação em toda a sua plenitude. Sempre terá uma interpretação subordinada aos fatores de cada pessoa.”

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2015/03/12/VidaCidadania/Graficos/Vivo/pesquisa greve professores.pdf

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