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Cárcere

Jovens traficantes

  • Daniel Costa, do Jornal de Londrina
 
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Londrina - Um balanço das prisões da Polícia Civil de Londrina, do período de janeiro a 17 de dezembro de 2010 , revela que, dos 350 tra­fican­­­­tes presos na cidade, 162 eram adolescentes entre 12 e 17 anos, ou seja, 46,28%. Em 2009, foram presas 333 pessoas ligadas ao tráfico; 144 delas, adolescentes (43,24%).

O envolvimento dos jovens no crime tem sempre uma trajetória conhecida. Sem estudo ou trabalho, meninos e meninas buscam principalmente no tráfico o jeito mais rápido de conseguir dinheiro e posição, seja para sustentar a família ou ganhar destaque na comunidade em que vivem.

Pedro (nome fictício), 18 anos, começou a praticar pequenos furtos e assaltos aos 13 anos. Aos 14, ingressou no tráfico de drogas. “Tive um acidente de motocicleta e machuquei o meu braço. Então, comecei a andar com um amigo que vendia droga e vi que entrava dinheiro fácil. Ele passou droga para mim e assim comecei. Por dia chegava a vender entre R$ 300 a R$ 400, sendo que meu lucro era de 10% a 15%, no máximo chegava a 20%”, conta o jovem, que há um ano cumpre medida socioeducativa no Centro de Socioeducação (Cense 2), em Londrina. “Entrei porque quis, me atraiu a ambição pelo dinheiro”, afirma.

Para a assistente social Patrícia Marcusso Giangarelli, é preciso compreender a situação de vida desses jovens. “Existem garotos que, pela condição de vida, buscam o tráfico para sobreviver. Mas há meninos que, embora tenham relação com o tráfico, não são de famílias de baixíssima renda e eles encontram a oportunidade de an­­dar com um tênis de marca e comprar roupas mais aceitáveis pela sociedade”, explica.

“Minha família sabia que eu estava fazendo algo de errado, [só] não sabia [exatamente] o quê. Minha mãe sentiu um desgosto muito grande quando fui apreendido pela primeira vez. Ela sempre quis dar uma boa educação e uma vida melhor, mas não tinha condições”, diz Pedro.

Consumo

Para o delegado-chefe da Polícia Civil de Londrina, Sérgio Barroso, o aumento do número de adolescentes no tráfico de drogas está diretamente relacionado ao consumo. “Muitos são viciados e são aliciados por causa da dependência”, afirma. A fase de formação do caráter e de desenvolvimento de personalidade também deixam os jovens vulneráveis. “Eles são alvos fáceis, uma vez que ainda não têm desenvolvimento intelectual completo. Então, é mais fácil para cair nas promessas dos traficantes”, diz o delegado da Divisão Estadual de Narcóticos de Londrina (Denarc), Michel Araújo.

O respaldo da sociedade na recuperação dos jovens também é importante, na opinião da assistente social Patrícia Giangarelli. “É comum o medo que os adolescentes têm de voltar à criminalidade ao cumprirem uma medida socioeducativa. Esses dias um adolescente saiu daqui tremendo, porque ele não sabia o que fazer”.

O delegado Michel Araújo diz acreditar que é preciso melhorar o sistema de atendimento a esses jovens. “A solução não está na pena mais dura e o problema não é só da polícia. O poder público tem de ofertar cultura, educação, lazer. Fazemos a repressão quando todos os ramos da sociedade já falharam”.

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