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Leonir Batisti, coordenador do Gaeco: “Vamos ver como vamos nos conduzir agora” |
Leonir Batisti, coordenador do Gaeco: “Vamos ver como vamos nos conduzir agora”
Segurança

Mais sete PMs deixam o Gaeco de Curitiba

Um policial havia pedido desligamento na semana passada por causa da estrutura deficitária do órgão, que conduz investigações sobre o crime organizado no Paraná

Texto publicado na edição impressa de 03 de março de 2011

Mais sete policiais militares de Curitiba pediram desligamento do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MP-PR). O motivo da saída foi o mesmo apresentado por um oficial da Polícia Militar na semana passada: a estrutura deficitária do órgão, responsável pelas principais investigações sobre o crime organizado no estado. Os pedidos de desligamento foram entregues no começo da semana.

O Gaeco de Curitiba tinha o apoio de 12 policiais militares e agora terá os serviços de apenas quatro. Desses, outros três já manifestaram vontade de sair do grupo. A reportagem da Gazeta do Povo teve acesso aos novos pedidos de desligamento. “O grupo está bastante carente de meios administrativos e operacionais e a chefia da assessoria militar pleiteia incessantemente por melhorias, porém, não obtém êxito junto à coordenação regional e estadual [gerida pelo MP-PR], tornando insustentável minha permanência neste Gaeco”, afirma um dos policiais no pedido.

Por telefone, um dos agentes da PM disse que não acredita em melhorias no órgão e que por isso está deixando o grupo. O policial preferiu não ser identificado. Em matéria publicada no último sábado, a Gazeta do Povo mostrou documentos que revelaram as deficiências da estrutura do Gaeco. “Fizemos muitos trabalhos e não vimos contrapartida [para melhorar o Gaeco]”, disse o policial.

Entre os problemas citados estão a falta de dinheiro para manutenção das viaturas, a carência de capacitação dos funcionários e a dependência do aparelho de interceptação telefônica da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp).

Outro PM, cedido ao Gaeco de Cascavel, no Oeste do estado, disse ontem que, além dele, dois policiais falaram em deixar o grupo por causa das dificuldades de trabalho encontradas.

O coordenador estadual do Gaeco, procurador de Justiça Leonir Batisti, disse ontem acreditar que os policiais estão saindo por lealdade ao oficial que se desligou na semana passada. “Vamos ver como iremos nos conduzir agora”, comentou Batisti. De acordo com ele, os policiais deixarão o grupo imediatamente. O MP-PR deverá analisar o perfil de outros policiais a partir de agora.

Segundo os depoimentos de policiais e promotores, revelados no último sábado, alguns servidores cedidos ao Gaeco tiveram de pagar com o próprio salário a troca de óleo e de peças dos veículos utilizados nas investigações. Na sexta-feira, a coordenação estadual do Gaeco e o a procuradoria geral do MP-PR afirmaram que nenhuma investigação deixou de ser feita por causa da falta de estrutura. Eles disseram também que as dificuldades relatadas pelos funcionários já foram superadas.

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