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 | CDC Organization/James Gathany
| Foto: CDC Organization/James Gathany

Teorias conspiratórias sobre as origens do vírus da zika têm ganhado espaço na imprensa internacional e, por consequência, nas redes sociais. O jornal britânico The Guardian e o francês Libertión publicaram recentemente textos que fazem um apanhado da reprodução dessas teorias conspiratórias.

As publicações indicam que um post em inglês publicado em 25 de janeiro no site Reddit, um dos maiores fóruns de discussão da internet, inaugurou a contenda.

Sob o título “Mosquitos geneticamente modificados soltos no Brasil em 2015 estão ligados à atual epidemia de zika?”, o texto sugere que os mosquitos colocados no ambiente pela empresa britânica Oxitec em 2011 para combater o vírus da dengue podem ter causado o da zika. A companhia, que tem sede no Brasil em Campinas, utilizou mosquitos transgênicos que não são capazes picar.

Sabe-se que o vírus da zika foi isolado pela primeira vez em 1947, em Uganda, espalhando-se pelo continente africano alguns anos depois.

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O post no Reddit afirma que existe uma correlação entre o local onde os mosquitos da Oxitec foram utilizados e onde o zika apareceu no Brasil. Essa afirmação foi repetida pelo site AntiMedia três dias depois, 28 de janeiro, que trouxe ainda um mapa que indicava erroneamente Juazeiro do Norte, no Ceará, como o local onde a Oxitec utilizou mosquitos geneticamente modificados, e não Juazeiro, na Bahia.

Em 30 de janeiro, foi a vez da estatal russa de notícias RT publicar um texto sobre a teoria conspiratória. No dia seguinte, o tabloide inglês Daily Mail fez a sua parte. Depois disso, a teoria se espalhou por timelines e tweets mundo afora, segundo o Guardian.

No primeiro dia de fevereiro, a informação foi publicada pelo Ecologist. O artigo do site especializado em questões ambientais traz aspas de uma especialista chamada Mae Wan Ho, que propõe que a sequência de DNA usada na engenharia genética dos mosquitos da Oxitec podem ter sido incorporados ao vírus da zika e causado uma mutação.

O Guardian aponta que o mosquito não pode ter inadvertidamente inserido uma DNA adicional no vírus porque o zika não tem DNA, somente RNA. O jornal inglês ironiza o equívoco: “São tipos diferentes de moléculas, dr. Ho”.

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