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memórias da guerra

Monumentos homenageiam pracinhas do Brasil na Itália

No país que foi inimigo das nossas tropas durante a Segunda Guerra, há sete monumentos em homenagem a militares brasileiros

Monumento Liberazione, em homenagem aos brasileiros, que fica nos arredores do Monte Castelo | Helton Costa/Arquivo pessoal
Monumento Liberazione, em homenagem aos brasileiros, que fica nos arredores do Monte Castelo Helton Costa/Arquivo pessoal
 
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Se no Brasil os pracinhas que atravessaram o Oceano Atlântico para combater na Segunda Guerra Mundial não raras vezes caem no esquecimento, a situação é diferente em território italiano. Em pleno país que foi inimigo das tropas brasileiras durante o conflito, pelo menos sete monumentos foram edificados em homenagem aos militares brasileiros que fizeram a “cobra fumar’ no Velho Continente.

A pesquisadora Carmen Rigoni, que possui mestrado e doutorado com estudos sobre a Força Expedicionária Brasileira (FEB), explica que a partir de 1995 iniciou-se a construção de obras dedicadas aos brasileiros na Itália. “Os monumentos foram instituídos a partir das Comemorações Internacionais, que celebraram o cinquentenário do fim da guerra”, explica. A Segunda Guerra se estendeu de setembro de 1939 a agosto de 1945, com um saldo estimado de 55 milhões de mortos.

Carmen explica que os monumentos ajudam a preservar a memória histórica coletiva para que a guerra não seja esquecida. “Os monumentos brasileiros construídos na Itália, que homenageiam os soldados da FEB, podem ser vistos e percebidos como os ‘lugares da memória’”, aponta.

A pesquisadora revela ainda que as homenagens partiram de sujeitos cujos laços de lembrança ainda estão ligados ao conflito e que dele fizeram parte, seja como combatente ou civil. “Essas celebrações estão voltadas no sentido de recordar e não deixar morrer as lembranças que lhes custaram tanta dor e sofrimento, momentos cruciais que marcaram para sempre suas vidas”, destaca.

Crescimento

Na década de 90, ocorreu um crescimento celebrativo em território italiano em relação à guerra. “A Itália vinha de um período conturbado, principalmente nos anos 1970, quando a máfia no sul do país provocou uma série de infortúnios pelo número expressivo de vítimas”, salienta Carmen.

Todos os monumentos brasileiros na Itália pertencem a esse período– exceto o monumento Votivo, de Pistoia, construído nos anos 1960, como extensão do cemitério militar já existente na localidade desde 1944.

Segundo a historiadora, a construção desses monumentos em solo italiano significa que o período de confrontos foi completamente superado. “Essa memória nos fala dos laços de solidariedade, de amizade e fraternidade entre a população italiana e os brasileiros”, afirma Carmen.

Confira alguns do monumentos em homenagem aos militares brasileiros na Itália

Coluna da Vitória desembarca em solo italiano

Cerca de 200 brasileiros devem desembarcar em território italiano a partir da segunda quinzena de abril. A concentração se deve às comemorações dos 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, à qual o Brasil tomou parte com o envio de 25 mil soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB), da Força Aérea Brasileira (FAB) e da Marinha. Quem participará do evento são descendentes de ex-combatentes, três ex-soldados da FEB, estudiosos do tema – entre eles a professora Carmen Rigoni – e pessoas interessadas na história do conflito, além de colecionadores de veículos e viaturas militares. Todos juntos formam a “Coluna Brasileira da Vitória”.

Homenagens

As homenagens aos brasileiros estão programadas para começar no dia 20 de abril na Embaixada Brasileira em Roma, com exposição de material da época e presença de autoridades civis e militares dos dois países. Já no dia 21, começa a passagem do grupo pelas cidades libertadas pelos brasileiros na primeira fase de operações no norte da Itália. Localidades como Camaiore, Massarosa, Lucca, Stafolli e Pistoia estão incluídas no roteiro. “Pistoia tem um significado muito forte para a gente e será muito bonito”, afirma o presidente da Comissão Organizadora e da Associação Brasileira de Preservadores de Viaturas Militares, Marcos Renault.

O cemitério daquela cidade abrigou até 1960 os corpos dos mais de 450 soldados brasileiros mortos em combate. Hoje, os restos mortais dos soldados descansam no “Monumento aos Mortos na Segunda Guerra Mundial”, no Rio de Janeiro, porém, o local onde era o cemitério brasileiro na Itália continua existindo com o nome de “Monumento Votivo”, administrado por Mário Pereira, filho de soldado brasileiro com uma italiana.

Outros pontos de parada incluem Monte Castelo, Porreta Terme, Gaggio Montano, Montese, Fornovo e Parma. O ponto máximo do evento será o encontro entre os brasileiros e a tradicional “Collonna della Libertá”, evento que relembra anualmente a libertação da Itália das mãos fascistas e alemãs. Isso deverá ocorrer em Cavirago, no dia 25 de abril, feriado nacional na Itália.

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