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Pandemia

Mortes e descuido alertam para risco da gripe A

Estado teve cinco mortes por vírus desde janeiro. Autoridades têm pouco controle de novos casos e população esquece cuidados

Veja mais sobre as mortes no Paraná e o cronograma de vacinação |
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Mortes e descuido alertam para risco da gripe A

A divulgação do mais recente boletim epidemiológico sobre a gripe A (H1N1), conhecida como gripe suína, no Paraná aponta para dois problemas graves. De um lado, o boletim, elaborado pela Secretaria de Estado da Saúde, revela que continua havendo mortes no estado em função da nova gripe: foram quatro até a divulgação do boletim, no dia 9, e mais uma depois. Isso indica que o vírus continua ativo e circulante no Paraná. Por outro lado, o boletim revela que as autoridades não têm controlado de perto a evolução do número de casos da doença.

O boletim mostrou um au­­­mento de 7 mil casos em relação ao número divulgado 30 dias antes. No entanto, ontem, a Secretaria da Saúde admitiu que não sabe quantos desses casos são de pessoas contaminadas realmente nos últimos 30 dias. Muitos deles podem ser de contaminações ocorridas no ano passado, mas que até agora constavam como casos incertos. Como agora o governo faz uma triagem dos casos duvidosos, o número total aumenta, mesmo que não haja novas contaminações.

Não é só aqui que a falta de acompanhamento da evolução da gripe ocorre. São Paulo, um dos estados mais afetados pela gripe e o mais populoso do país, também não mantém estatísticas sobre o tema. O Ministério da Saúde, idem. Isso poderia, em teoria, dificultar o combate à segunda onda da doença, que deve ocorrer neste inverno. A população também mostra sinais de que se descuidou nos itens de prevenção necessários. As autoridades, porém, apostam que a vacina e outras formas de controle serão suficientes para manter a doença em níveis baixos em 2010.

Casos

O número de casos diminuiu significativamente durante o verão. Em Curitiba, não houve nenhum caso confirmado da gripe A entre janeiro e fevereiro. Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul também não houve registro da doença nesse período.

Quanto às mortes ocorridas neste ano no Paraná, o infectologista Moacir Pires Ramos afirma que estão dentro da normalidade e que não são sinal de que a gripe A virá com mais força. “Foram casos esparsos e já esperados. Entre as vítimas havia um jovem portador de doença crônica e uma gestante, ou seja, ambos faziam parte de grupos de risco da doença. É certo que o contágio irá aumentar, agora que já passou o carnaval e que as temperaturas vão baixar. Por isso a população precisa estar atenta em relação à prevenção. Cuidados básicos de higiene, que deveriam ser constantes, ficaram esquecidos por causa das férias”, afirma o médico, membro do Comitê Municipal de Prevenção e Con­trole da Nova Gripe de Curitiba.

Segundo o secretário de Esta­­do da Saúde, Gilberto Martin, é muito provável que a segunda onda da gripe seja menos grave do que a primeira. “Foi o que acon­­­teceu no Hemis­­fério Norte. A segunda onda afetou os Esta­­dos Unidos e a Europa no inverno e, mesmo assim, os índices da doença declinaram. Estaremos mais protegidos com a vacina, que irá beneficiar cerca de 4 milhões de pessoas só no Paraná, sem falar nos milhares que fo­­­ram infectados pela doença no ano passado e que, por isso, já estão imunizados”, explica.

Para o presidente da Socieda­­de Paranaense de Infectologia, Alceu Fontana Pacheco Júnior, os critérios adotados pelo poder público para identificar casos de gripe são “meio frouxos”. “Não dizem onde os casos estão localizados. E não se fazem exames, a não ser de quem está morrendo”, afirma. “A gente não sabe exatamente o que os médicos estão considerando como gripe.”

Pacheco acredita que os números divulgados podem estar acima dos casos reais. Para ele, não há, no entanto, como contabilizar os casos verdadeiros. “Só se fizessem uma avaliação universal do ponto de vista laboratorial, com todos os casos suspeitos. Hoje, se uma pessoa tem febre e tosse e vai ao médico, ele pode notificar como gripe”, diz. “Acredito que esses 6 mil casos estão acima (da realidade). Minha experiência é em Curitiba e não tenho visto casos de gripe, nem ouvido falar que meus colegas tenham visto casos de gripe.”

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