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Alessandro tenta dar o sulfato ferroso para a filha Giovana: gosto ruim e efeitos colaterais dificultam adesão ao tratamento |
Alessandro tenta dar o sulfato ferroso para a filha Giovana: gosto ruim e efeitos colaterais dificultam adesão ao tratamento
Saúde

Novo remédio para tratar a anemia infantil

Desenvolvido por laboratório paranaense, medicamento mastigável à base de ferrocarbonila promete facilitar o tratamento de crianças com a doença

Tratar a anemia ferropriva (deficiência de ferro) em crianças, principalmente os menores de 6 anos de idade, não é brincadeira. O controle da alimentação precisa ser rígido. Saem de cena biscoitos e salgadinhos para dar lugar a frutas, verduras, legumes e fígado, opções muito nutritivas, mas que não costumam fazer parte da lista de favoritos dos meninos e meninas.

A hora de dar o medicamento é outro suplício tanto para filhos, quanto para pais. O sulfato ferroso em gotas, usado com crianças que ainda não conseguem deglutir o comprimido, tem um gosto metálico, muito desagradável, que provoca, além de forte rejeição, efeitos colaterais como náusea, vômito e diarreia. O medicamento também causa o escurecimento das fezes e a impregnação da substância nas roupas e nos dentes.

“A hora da medicação era um horror. Eu misturava no suco ou na vitamina para disfarçar o gosto, mas não adiantava muito. A minha filha só conseguiu tomar o sulfato ferroso durante dois meses, depois não aguentou mais”, conta a estudante Kelly de Araújo Dias, mãe de Giovana, de 10 anos, que desde pequena apresenta deficiência de ferro por ter intolerância à lactose e ao glúten.

A partir de maio, um novo medicamento, elaborado pela empresa paranaense Herbarium Laboratório Botânico, promete facilitar o tratamento das crianças pequenas com anemia. O Ferrokids, feito de ferrocarbonila, é mastigável, tem sabor de uva e é tomado apenas uma vez ao dia.

De acordo com a farmacêutica gaúcha Íria Luiza Farias, responsável pela pesquisa que deu origem ao medicamento, o ferrocarbonila já é usado em medicamentos para a anemia em outros países, mas no Brasil, até agora, só era usado pela indústria alimentícia como aditivo. “O ferrocarbonila em pó é manufaturado diretamente de fragmentos do ferro e tem um teor de ferro elementar muito maior que os demais sais ferrosos. Enquanto o sulfato ferroso conta com apenas 36%, ele tem 98%. Por isso a biodisponibilidade e a quantidade de absorção por dose são maiores”, explica.

Por causa da baixa adesão, o tratamento tradicional com sulfato ferroso em gotas pode levar até seis meses. Durante os estudos realizados pela pesquisadora, em 90 dias as crianças tratadas com o novo medicamento já tinham recuperado o nível normal de ferro no organismo.

O trabalho realizado por Íria foi premiado pelo Congresso Brasileiro de Hematologia e Hemoterapia, em 2007. Por enquanto, o medicamento, que não contém açúcar nem corantes artificiais, só está disponível nas cidades de Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. O objetivo da empresa é poder oferecê-lo pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em breve. O laboratório ainda não definiu o preço do medicamento.

Anemia infantil

O ferro é essencial para o bom funcionamento do organismo humano. A deficiência do metal limita o transporte de oxigênio para as células, prejudica o crescimento e a diferenciação celular, causando fadiga, baixa performance escolar e queda de imunidade. “A anemia é apenas a ponta do iceberg. A criança com deficiência crônica de ferro não consegue se desenvolver plenamente e terá problemas cognitivos no futuro”, alerta Íria.

A anemia na infância geralmente é causada por uma dieta deficitária, infecções, verminoses e a presença de doenças como tuberculose e diabete. De acordo com a hematologista Regina Biasoli, do laboratório Curitiba Santa Casa / Dasa, o aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida, a implantação de programas de saneamento básico, a erradicação de doenças infecciosas e parasitárias, e a maior ingestão de alimentos enriquecidos com ferro são os principais fatores que contribuem para a diminuição da doença, que hoje atinge cerca de 50% das crianças brasileiras até 5 anos. “O Nordeste conta com o maior índice de anemia infantil do país. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 80% das crianças entre 11 e 13 meses de idade que vivem na região têm anemia”, conta a médica.

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