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O ensino de música mundo afora

Falta de estrutura e professores capacitados deixa Brasil longe de cumprir meta de universalizar essa arte nas escolas. Em outros países, a área avançou muito mais

Para a suíça Edith Camargo, a  musicalidade natural dos brasileiros ajuda no ensino da música. | Brunno Covello/Gazeta do Povo
Para a suíça Edith Camargo, a musicalidade natural dos brasileiros ajuda no ensino da música. Brunno Covello/Gazeta do Povo
 
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Obrigatório nas escolas públicas desde 2012, o ensino de música anda a passos lentos no Brasil. O maior entrave é a falta de estrutura: instrumentos musicais e professores com capacitação técnica para lecionar este campo da arte não só com qualidade, mas com atributos pedagógicos adequados. Em países em que esta etapa já foi vencida, o desafio passa a ser o que ensinar e com qual propósito.

Os franceses são grandes responsáveis por técnicas arrojadas e inovadoras no ensino da música. Mas na hora de ensinar suas crianças, a França é tradicionalista: o canto é afinado ao modo ocidental e os instrumentos são classificados conforme a divisão da orquestra sinfônica, conta o professor de música da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Guilherme Romanelli.

Já na Argentina, a música é uma das disciplinas obrigatórias na Educação Artística desde o ensino primário, segundo informações do Ministério da Educação local. No equivalente ao ensino médio, os alunos cursam nos primeiros anos um ciclo comum e depois partem para uma espécie de ensino técnico. Entre os diplomas disponíveis, está o de Bacharel em Artes. Além das disciplinas tradicionais, o aluno foca no estudo de quatro grandes áreas artísticas: música, teatro, literatura e danças.

Os norte-americanos são mais performáticos. Nos Estados Unidos, o que prevalece “é a ideia do caça-talentos. Se você tiver jeito para a música, vai tocar. Se não, desista. Porque você não vai aprender mesmo”, resume Guilherme Romanelli.

Estudioso da forma como as crianças produzem música (obrigadas ou não) na escola, o professor considera emblemático o caso da Lituânia, no Leste Europeu. “Cantar e dominar a música folclórica, para eles, é tão importante quanto é o futebol para uma criança brasileira”.

O tradicionalismo francês é ainda mais forte em seus vizinhos da Suíça. E era mais ainda há três décadas atrás, quando Edith Camargo começava seus estudos em uma escola pública na região de St. Gallen, no Leste do país. O currículo era rigoroso: aulas de canto uma vez por semana, dos menores aos maiores.

Há vinte anos, Edith veio para Curitiba fazer um curso de Música Popular Brasileira e por aqui se estabeleceu. A experiência como professora de canto e a paixão pela MPB faz com que ela tenha um olhar menos pessimista em relação à situação da musicalidade local. “A criança brasileira é muito livre, você vê ela sambando, se desenvolvendo corporalmente. Na educação musical escolar, isso é um ingrediente muito rico. Prova disso é que temos muito instrumentistas com ouvido ótimo e que só depois vão aprender [no ensino formal]”.

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