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Drogas

Para o Brasil não ser uma cracolândia

Governo federal anuncia plano de combate à droga. Epidemia do consumo já atinge pelo menos 600 mil brasileiros

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A epidemia de uso do crack, que já atinge pelo menos 600 mil brasileiros, levou o governo federal a anunciar ontem, pela primeira vez, um plano nacional de combate à droga. O número crescente de usuários e o alto grau de dependência que a droga causa levaram o governo a considerar o caso como de saúde pública. Por isso, além de repressão ao tráfico, o plano incluirá tratamento para os dependentes e programas de prevenção.

O decreto criando o plano foi assinado ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No total, serão investidos R$ 410 milhões apenas neste ano para implementar o plano. Entre as ações anunciadas estão o treinamento de profissionais das áreas de saúde, educação e assistência social para atender os dependentes e as famílias e alertar sobre os riscos do uso da droga.

O presidente citou ainda a elaboração de estudos aprofundados sobre as consequências do uso do crack e o impacto econômico, além do mapeamento das rotas do tráfico. A intenção do governo é reforçar a fiscalização nas fronteiras, principalmente com o Peru, a Bolívia e a Colômbia.

Lula também pediu o comprometimento dos prefeitos no enfrentamento ao crack. Ele lembrou que a droga saiu dos centros urbanos e já se espalhou pelos pequenos municípios. “Sabemos que não é uma droga de rico, é mais para pobre, e sabemos que ela está sendo utilizada nas pequenas cidades. É uma droga mais barata e está tendo um efeito devastador. Vamos tentar encontrar um jeito de jogar muito duro para combater o crack em parceria com os prefeitos. Queremos a participação das igrejas, dos sindicatos”, disse Lula, durante o anúncio.

Saúde

O Ministério da Saúde anunciou que irá ampliar a rede de assistência aos usuários de crack. Até o fim deste ano, os hospitais gerais vão dobrar o número de leitos para receber dependentes químicos – de 2,5 mil para 5 mil.

Segundo o órgão, o aumento será possível porque o ministério irá dobrar o incentivo financeiro aos hospitais que atenderem pacientes com problemas com álcool e drogas. Por ano, o recurso do Ministério para o custeio desses leitos especializados vai chegar a R$ 180 milhões. O Ministério também prevê mais 136 centros especializados em Álcool e Drogas (Caps-AD), até o fim de 2011. Serão criados também 73 novos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).

Avaliação

Para especialistas, a iniciativa do governo federal é bem-vinda, especialmente por focar a prevenção do uso do crack. O coronel Jorge Costa Filho, comandante do policiamento em Curitiba e coordenador do 181 Narcodenúncia no Paraná, diz que até então a polícia estava sozinha no combate às drogas e faltava apoio da sociedade. “Combater o tráfico não é só prender o traficante, é fazer políticas de formação, políticas sociais”, afirma.

A apreensão de crack no Paraná aumentou 58% em 2010, na comparação com o mesmo período de 2009. Do início de 2010 até ontem, a Polícia Militar recolheu 768.007 pedras de crack no estado – foram 485.979 no ano passado.

Mas, para o médico psiquiatra e psicoterapeuta Pablo Miguel Roig, especialista na área de drogas, é preciso lembrar que o processo de dependência química não começa com o crack. “Temos de apontar não para o fim da linha, que é o crack, mas para o começo”, afirma. Para ele, o plano do governo federal é importante, mas a droga não pode ser vista como algo isolado.

Roig aponta que se deve trabalhar vários aspectos antes mesmo do início do vício, como as relações familiares. Segundo o médico, o primeiro contato dos usuários com o crack acontece cedo: aos 13,3 anos de idade, em média.

Com base em um estudo da Universidade Federal de São Paulo, o médico estima que exista 1,2 milhão de usuários de crack no país. O Ministério da Saúde acredita que existam 600 mil usuários.

A prevenção é prioridade também na opinião do secretário municipal antidrogas de Curi­tiba, Nazir Abdalla Chain. Com relação aos recursos previstos, o secretário considera que “na guerra contra o crack, quanto mais melhor”.

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