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Saúde

Paraná deixa de usar 82% dos órgãos

Central estadual de Transplante diz que estado é criticado por cumprir a lei

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O Paraná não pôde utilizar 82% dos órgãos dos 122 potenciais doadores que tiveram morte encefálica no primeiro semestre deste ano. Do total de notificações feitas à Central Estadual de Transplante, só 22 pacientes com parada definitiva e irreversível do encéfalo tiveram os órgãos retirados. Ainda assim, os números da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) não confirmam se todos chegaram a ser transplantados. O estado tem 4.874 receptores na lista de espera.

A previsão de aproveitamento dos órgãos é de 80% a 90%. Conforme a ABTO, em números absolutos o Paraná está em sexto lugar entre os estados que mais possuem potenciais doadores, mas cai para a décima posição quanto ao aproveitamento. “O Paraná já teve um desempenho melhor, mas ao invés de melhorar, está diminuindo”, diz a presidente da ABTO, Maria Cristina Ribeiro de Castro.

Os principais percalços são a recusa familiar (32% dos casos) e a contra-indicação médica (55%). Neste caso, quando há parada cardíaca antes da remoção dos órgãos, aumento da pressão arterial ou quando o doador tem alguma doença transmissível pelo sangue, por exemplo. Foi uma contra-indicação que retardou o transplante de Raquel Fabrício da Silva, 45 anos. Ela espera por um rim há oito anos. “O rim que chegou estava com coágulo.”

O assessor técnico da Central Estadual de Transplante, Celso Reis, explica a peculiaridade paranaense.

“Não captamos órgãos não ideais, cuja sorologia, principalmente para hepatites, são positivas”, esclarece. Um paciente com hepatite B, por exemplo, não pode doar para outro com a mesma doença. “Já os outros estados realizam o transplante”, diz.

Segundo Reis, o estado segue a legislação e é criticado por isso. Ele revela que o estado fez 76 transplantes de órgãos até junho desse ano, contra os 53 do mesmo período de 2006. O Ministério da Saúde esclarece, em nota, que a definição da utilização do órgão cabe a Central de Transplante do Estado e à equipe médica.

Soluções

Órgãos como coração, pulmões, fígado e rins só podem vir de pacientes internados em UTIs e que tiveram morte encefálica. Por isso é importante a notificação dos hospitais à Central para que se inicie a busca de um receptor. Por força de lei, todo hospital com mais de 80 leitos deve possuir uma comissão específica para notificar pacientes em morte encefálica, trabalho que a Central alega ser ineficiente em alguns hospitais.

A coordenadora da Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante do Hospital Cajuru, Ivana Roseira, rebate as críticas. “Há pouca doação para o número de óbitos que a gente tem, mas não concordo que é por causa da comissão”, afirma.

Para o professor titular de Clínica Médica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e da Faculdade Evangélica de Medicina, Miguel Riella, há necessidade de um novo modelo para que o Paraná possa corrigir distorções, como uma Organização de Procura de Órgãos, cuja criação está sendo discutida há um ano. A organização não-governamental auxiliaria os hospitais na procura de órgãos. “Vamos ajudar o gestor público em uma ação que não está eficiente”, aponta.

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