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Pesquisa

Parkinson dá os primeiros sinais longe do cérebro

Estudo identifica disfunções em órgãos internos antes de a doença manifestar sintomas clássicos

  • Anna Paula Franco - terceiraidade@gazetadopovo.com.br
Veja que um estudo indica que o Mal de Parkison pode ter origem no SNP |
Veja que um estudo indica que o Mal de Parkison pode ter origem no SNP
 
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O sistema nervoso periférico, formado por nervos e células nervosas que conectam o cérebro e a medula espinhal a outros órgãos e partes do corpo humano, é o primeiro a sofrer as lesões provocadas pelo mal de Parkinson. Mudanças nessa parte do organismo ocorrem até seis anos antes de a doença se manifestar na sua forma clássica, em que o paciente sofre de tremores involuntários e problemas motores. Esses são os dados preliminares de uma pesquisa conduzida pelo Laboratório de Estereologia e Anatomia Química, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootécnica da Universidade de São Paulo (USP), sob a coordenação do médico veterinário Antonio Augusto Coppi. “Isso vai ajudar médicos neurologistas na identificação de uma doença silenciosa, incurável e limitante. Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a chance de adiar o aparecimento dos sintomas clássicos e prolongar a vida ao paciente”, diz Coppi.

O mal de Parkinson se caracteriza pela interrupção da produção da dopamina pelos neurônios da região cerebral, denominada substância negra. Ela é um neurotransmissor que atua como estimulante do sistema nervoso central e é responsável pelo controle dos movimentos e músculos. Sem causa ou cura conhecida para a doença, o tratamento existente só permite o controle dos sintomas por meio de medicamento ou processos cirúrgicos, com implante de eletrodos para estimular o cérebro. Antecipar o diagnóstico, que só pode ser feito por exames clínicos, é diminuir o tempo de dependência de substâncias que reproduzem a ação da dopamina, além de atrasar o início de sintomas que afetam a qualidade de vida dos portadores de Parkinson. No Brasil, estima-se que 200 mil pessoas sofram da doença, que é mais frequente a partir dos 60 anos.

A equipe de Coppi faz testes em camundongos transgênicos, geneticamente codificados para desenvolverem o Parkinson. E reproduz em laboratório, com tecnologia apurada para observação das lesões celulares, resultados já obtidos em pesquisas anteriores no Japão, Alemanha e Estados Unidos. A pesquisa da USP observou alterações nas funções de órgãos como coração, bexiga e intestino antes de as cobaias terem o sistema nervoso central comprometido. “São sintomas como picos de alteração de pressão arterial (hiper ou hipotensão), batimentos cardíacos inconstantes, dificuldades de digestão, função urinária irregular, fezes ressecadas, entre outros”, diz Coppi.

A observação da evolução da doença em cobaias de várias faixas etárias permite estabelecer a cronologia de ação do Parkinson. O primeiro órgão afetado é o coração. “Sabemos que os neurônios cardíacos são os primeiros a sofrer alterações. Agora precisamos determinar que tipo de lesão que afeta as fibras do miocárdio”.

Coppi pretende chamar atenção dos médicos neurologistas para a observação desses sintomas em pacientes com histórico de Parkinson na família. Comuns a outras doenças degenerativas, eles podem ser uma pista importante no diagnóstico. “A investigação do médico é feita com informações sobre mudanças sutis na rotina do paciente. Não há exame laboratorial ou de imagem que demonstre a lesão cerebral que leva à manifestação clássica da doença”, explica o médico neurologista Renato Puppi Munhoz, de Curitiba.

Para uma doença incurável, que pode levar até 30 anos para evoluir a partir do diagnóstico, indicativos que ajudem a reduzir o impacto dos sintomas e as sequelas do tratamento são fundamentais. “O medicamento é um paliativo. Ele alivia as consequências da falta do neurotransmissor e vai perdendo a eficácia ao longo dos anos de uso”, observa. As doses precisam ser ajustadas com o passar do tempo e o uso constante pode afetar a saúde mental, levando à demência e à depressão.

Para o médico, o estudo da USP vai ajudar a balizar os poucos recursos disponíveis para confirmar o diagnóstico. Hoje em dia, além do exame clínico, há testes genéticos de avaliação de pacientes com histórico familiar da doença, mas que o procedimento é feito apenas em pesquisas e não na rotina médica. “O Parkinson também afeta outras áreas do cérebro. Não só a região da substância negra. E isso também se reflete em diversos órgãos internos. O estudo sugere essa avaliação invertida: há alterações nos órgãos e funções do organismo que merecem investigação”, aponta Munhoz.

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