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Policiais da Bahia acusados de espancar preso estão foragidos

Três investigadores da Polícia Civil e o filho de um deles tiveram prisões preventivas decretadas pela Justiça pós terem supostamente espancado um homem dentro da delegacia de Porto Seguro

 
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Três investigadores da Polícia Civil da Bahia e o filho de um deles são considerados foragidos de Justiça, depois de a 1ª Vara Criminal de Porto Seguro, no litoral sul do Estado, decretar suas prisões preventivas na segunda-feira. Joaquim Pinto Neto, de 42 anos, Otávio Garcia Gomes, de 43, Robertson Lino Gomes da Costa, de 44, e Murilo Bouson de Souza Costa, filho de Robertson de 22, são acusados de tortura e homicídio, após espancarem até a morte Ricardo Santos Dias, de 21 anos, dentro da Delegacia de Porto Seguro, na noite de sábado.

Segundo depoimentos colhidos por agentes da 23ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin), em Eunápolis, onde as investigações estão centralizadas, Ricardo havia sido detido na manhã de sábado, por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. Ele também era suspeito de ter participado de um latrocínio contra um comerciante de Porto Seguro, no dia 11. Há indícios de que os investigadores tentavam fazer a vítima confessar este crime, por meio de tortura.

As câmeras de segurança da Delegacia de Porto Seguro mostram os três investigadores e Murilo chegando à unidade policial às 22h32. Menos de duas horas depois, à 0h21, os quatro são vistos deixando a unidade, carregando Murilo, já desacordado. De acordo com as investigações, depois de entrar na delegacia, os acusados retiraram a vítima da cela, na qual estava descansando, e a levaram para uma sala fechada da unidade, com a justificativa de interrogá-la. Foram ouvidos gritos, mas os outros policiais que estavam na delegacia disseram não ter entrado no ambiente onde ocorria a suposta tortura.

Murilo teria perdido os sentidos ainda durante o interrogatório. Os investigadores, então, disseram ao restante da equipe que levariam o preso ao hospital. Murilo foi deixado na porta do Hospital Luís Eduardo Magalhães, sem identificação. Os investigadores não foram mais vistos.

Segundo o corregedor-geral da Secretaria de Segurança Pública, Nélson Gaspar, que acompanha o caso em Eunápolis, as investigações estão adiantadas e restam poucas informações para que o inquérito seja concluído - entre elas, qual o interesse específico dos investigadores no preso ou no crime que tentavam fazê-lo confessar, o que a polícia espera esclarecer ao interrogar os acusados.

De acordo com ele, os agentes que permitiram aos investigadores ter acesso à vítima também estão sendo investigados. Os acusados vão responder a inquérito criminal e também serão alvo de inquérito administrativo da Polícia Civil, que pode resultar na demissão dos cargos. Equipes da Coordenadoria de Operações Especiais (COE) e do Departamento de Investigação Policial (DIP) da Polícia Civil participam da operação de buscas pelos acusados na região.

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