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Rio de Janeiro

Sob chuva, Mangueira encerra desfiles

  • Agência Estado
 
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Enredos biográficos já levaram a Mangueira à glória (em 1984, cantando Braguinha, e em 1998, com Chico Buarque, foi campeã) e à ruína (em 1989, falando do ex-rei da noite do Rio Chico Recarey, chegou perto do rebaixamento). Hoje, com Nelson Cavaquinho, não chegou a qualquer dos dois extremos.

Os mangueirenses que resistiram à chuva e ao cansaço saíram do sambódromo do Rio de Janeiro com dia claro, cantando os versos de louvação ao compositor que se tornou um dos símbolos da agremiação. Mas o desfile ficou aquém da escola e do enredo.

A ruidosa vaia ao presidente, Ivo Meirelles, ao se dirigir aos componentes e ao público na entrada da escola, já era um mau prenúncio. "Eu vou usar uma frase de Cartola: 'Mangueira, por você fiz o que pude'", disse, num tom egocentrado. O público não perdoou. Depois veio um discurso longo e desnecessário, lido pelo ator Milton Gonçalves, de evocação a Nelson Cavaquinho.

Nelson "apareceu" já na comissão de frente, acompanhado dos boêmios "amigos de fé" e companheiros de mesa, do Morro da Mangueira. Também ao lado de Beth Carvalho - que desfilou mesmo ainda estando mal da coluna -, Sérgio Cabral (autor do enredo) e Guilherme de Britto, seu parceiro, no carro que representava o Zicartola, seu palco. E fechou o desfile, "voando" como um anjo de asas longas. Antes, a escola mostrou referências a seus sambas, como "A Flor e o Espinho', "Folhas Secas", "Juízo Final" e "A vida".

Faltou criatividade aos carnavalescos Mauro Quintaes e Wagner Gonçalves: a Mangueira tinha fantasias repetitivas, e não se viu muita inventividade no chão nem nos carros. Mas sobrou disposição entre os componentes, que batiam no peito para dizer versos do samba-enredo (em primeira pessoa, Nelson falando), como "Sou mangueira". Os puxadores ficaram em silêncio em vários momentos para deixar que a vozes dos componentes e das arquibancadas se sobressaíssem.

Quem conviveu com Nelson no morro era só emoção, como se cantava na letra do samba. "Lembro dele amanhecendo no Buraco Quente, cantando e bebendo. Era disso que ele gostava", dizia, na concentração, dona Léa de Araujo, com 68 anos de Mangueira.

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