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Transplante de medula é limitado por tetos estaduais

  • Maria Gizele da Silva, da sucursal
Técnica expõe frasco com medula no Hemepar de Ponta Grossa |
Técnica expõe frasco com medula no Hemepar de Ponta Grossa
 
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Campanhas de doação de me­dula óssea não são mais tão co­muns como na década pas­sada. A ausência do apelo se deve à portaria 844, editada em 2012 pelo Ministério da Saúde. A medida limitou o número de doadores de medula óssea por estado, por ano, para qualificar a busca por pessoas compatíveis e, como consequência, reduzir custos de operação. Mesmo com a limitação, o número de transplantes cresceu no país e no Paraná.

Pela portaria, a cada ano o país pode ganhar até 267,1 mil doadores voluntários, sendo 32,4 mil no Paraná. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde, nos anos seguintes à portaria nenhum estado alcançou o teto. No ano passado, no Brasil, 223,7 mil novos doadores foram cadastrados, sendo que no Paraná mais 23,1 mil se inscreveram.

Mesmo sem campanhas, o interesse de doadores é crescente. Em Ponta Grossa, por exemplo, nos primeiros nove meses deste ano o número de doadores chegou a 1.083, número 48% maior que no mesmo período do ano passado. O Brasil ainda mantém a posição de terceiro maior banco de doadores de medula óssea do mundo, com 3,4 milhões de doadores (atrás da Alemanha e dos EUA), dos quais 510,3 mil estão em solo paranaense.

O cadastro é controlado pelo Registro Brasileiro de Doa­dores Voluntários de Medula Óssea (Redome). O doador entra no cadastro quando procura um centro de coleta, como os hemonúcleos do Paraná, e efetua a doação de sangue. A coleta é levada ao Laboratório Central para os testes de compatibilidade genética.

Caso o resultado seja posi­tivo, o doador é procurado pelo Redome. Conforme a coordenadora do Sistema Estadual de Transplantes do Paraná, Ar­lene Badoch, a portaria do Ministério da Saúde não reduziu a chance de compatibilidade entre doadores e receptores, já que as doações atingem um grau de variabilidade genética satisfatório. Já a voluntária de uma organização social de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, que estimula a doação de medula óssea, Josefa Schimit, fez uma petição pública para derrubar a portaria.

Josefa conta que procurou a esfera política, nos últimos dois anos, para reverter a decisão, mas não teve apoio. A petição, que precisa de três milhões de assinatura, tinha apenas 74 inscritos até meados de outubro. “Só está bom para quem nunca foi afetado pela doença”, critica Josefa.

O cadastro ilimitado custava R$ 270 milhões por ano para o Ministério da Saúde. A expectativa do governo federal era reduzir os custos para R$ 100 milhões. A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde não divulgou a economia gerada na medida, mas como acrescenta Arlene, do Paraná, a inclusão de cada doador no sistema custa em média R$ 400.

Qualquer pessoa, de 18 a 55 anos, pode se cadastrar no Redome. Basta levar um documento pessoal a um hemonúcleo, assinar a ficha de inscrição e fazer a coleta de 10 mililitros de sangue, além de se comprometer a deixar o endereço atualizado para a iminência de surgir um receptor compatível. Se o teto do estado extrapolar o limite da portaria, o que ainda não ocorreu, o Ministério da Saúde pode usar a cota excedente de outros estados.

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