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Base governista ignora batalha campal e aprova lei da previdência

Alheios ao confronto que deixou 213 feridos, 31 deputados chancelaram projeto do governo

Servidores  e policiais se enfrentam em frente da Assembleia, quando deputados discutiam o projeto. | Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo
Servidores e policiais se enfrentam em frente da Assembleia, quando deputados discutiam o projeto. Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo
 
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Praça de guerra, batalha campal, cenário de terror. Adjetivos não faltam para descrever a tarde fria desta quarta-feira (29) no Centro Cívico, em Curitiba. Foram quase duas horas de confrontos entre manifestantes e policiais, com um saldo de 213 feridos.

Alheios a tudo que se passava do lado de fora do plenário da Assembleia Legislativa, os deputados governistas pareciam participar de mais um dia normal de sessão. Com exceção do líder do Executivo, Luiz Claudio Romanelli (PMDB), 30 parlamentares aliados permaneciam impassíveis em suas cadeiras, sorrindo e jogando conversa fora. No comando de todos eles, o presidente da Casa, Ademar Traiano (PSDB), afirmou apenas que “lá fora, o problema é da segurança pública, não da Assembleia”.

Amparado em uma decisão judicial que garantia a segurança do prédio e a realização dos trabalhos sem a presença dos servidores, o Legislativo tocou de forma ininterrupta cinco horas de discursos e votações em três sessões seguidas – uma ordinária e duas extraordinárias. No início da noite, os governistas finalmente conseguiram aprovar em definitivo o projeto de reforma da Paranaprevidência, enviando-o para sanção do governador Beto Richa (PSDB).

Mundo paralelo

Iniciada por volta das 14h45, a sessão durou poucos minutos até que os primeiros estouros fossem ouvidos na Praça Nossa Senhora de Salete. De imediato, deputados da oposição deixaram o plenário em direção à rampa principal do prédio e pareciam não acreditar nas cenas de guerra.

De um lado, os manifestantes tentavam avançar em direção à Assembleia para impedir que os parlamentares da base aprovassem o projeto. Do outro, policiais militares divididos em uma série de barreiras respondiam com bombas de efeito moral, spray de pimenta e gás lacrimogênio. Um caminhão da tropa de choque ainda dispersava os servidores com jatos de água.

Temendo pelo pior, um grupo de oposicionistas tentou descer a rampa da Casa, mas foi contido por um cordão da tropa de choque. Ao insistir em passar, Rasca Rodrigues (PV) acabou mordido no braço por um cão da PM. Os parlamentares, porém, voltaram do meio do conflito sem nenhum avanço, e os confrontos continuaram.

Do lado de dentro, apelos eram feitos a Traiano para que suspendesse a sessão. Sem desgrudar do telefone por meio do qual recebia informações dos acontecimentos na praça, o tucano manteve a sessão em andamento. E parecia ter o aval dos colegas governistas, que nem mesmo por curiosidade, deixaram o plenário para ver o que se passava lá fora. O único que demonstrava preocupação era Romanelli. Ao ser cobrado por algumas pessoas presentes na Casa, por “ser o representante do governo”, o peemedebista disse que defendia a suspensão da sessão, mas que a decisão não cabia a ele.

Os trabalhos transcorreram normalmente em meio a essa anormalidade sob protestos da oposição. Por volta das 18 horas, a Casa aprovou, por 31 votos contra 20 (veja infográfico), a proposta da previdência em segunda discussão, sepultando qualquer possibilidade de rejeição da matéria. A informação demorou a chegar, por meio de um caminhão de som, aos poucos manifestantes que ainda resistiam ao frio e à chuva que começou a cair no Centro Cívico.

Na sequência, ainda foram realizadas outras duas sessões para terminar de aprovar o projeto, decretando a vitória do Executivo. “Não houve vencidos nem vencedores. Perdeu a democracia do Paraná”, lamentou Nelson Luersen (PDT).

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2016/04/28/VidaPublica/Graficos/Vivo/deputados pacotaco WEB-DTWT.pdf

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