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Nelson Justus, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, deveria assistir a umas aulas de lógica. Para entender o que são causas e conseqüências, por exemplo. Assim, ele não se confundiria em seus discursos, como fez nesta semana durante um encontro com diretores de jornais do interior do estado.

Justus, segundo relato publicado no site da Assembleia Legislativa, pediu que os veículos de comunicação mostrem a seus leitores as importantes mudanças que vêm sendo realizadas no Legislativo estadual. E citou alguns avanços. Painel eletrônico para marcar a presença dos deputados. Portal da Transparência. A TV Sinal. A redução do recesso parlamentar. E, a partir do mês que vem, a publicação dos gastos dos deputados com verba indenizatória.

Antes de mais nada, é preciso dizer que o tal portal da transparência ainda não está disponível. De fato, houve melhorias na Assembleia, é preciso admitir. Mas ainda estamos longe de ter um Parlamento ideal. Muito longe.

O que é preciso ressaltar, porém, é que nenhum desses avanços se deveu exclusivamente à boa vontade dos nossos representantes. Porque, do jeito que Nelson Justus fala, a impressão que fica é que, quanto mais elogiarmos o que a Assembleia faz, mais incentivaremos os deputados a tomarem novas medidas de democratização. Nossa história recente mostra que o contrário é que é verdadeiro.

O painel eletrônico veio. Mas, antes, foi necessária uma centena de matérias na imprensa do estado mostrando o quanto nossos parlamentares eram displicentes em seguir as (poucas) sessões marcadas. O recesso foi reduzido? Sim, embora os parlamentares ainda tenham, num ano comum, mais dias fora do trabalho do que uma mulher num ano em que tira licença-maternidade.

Promessa

O Portal da Transparência está prometido, assim como a publicação dos gastos dos deputados indenizados pelo dinheiro público, que não são poucos. Mas isso só aconteceu depois que a imprensa provou por todos os meios possíveis que a Assembleia é uma caixa-preta, que nosso dinheiro é usado em larga escala e sem explicações.

A imprensa tem tido papel fundamental na melhoria da Assembleia. Foi esta Gazeta que descobriu a existência do Esquema Gafanhoto. Foi aqui também que se revelou o funcionamento da Casa do Povo, fato que levou à cassação do mandato de Carlos Simões. Foi a Folha de Londrina que revelou que não apenas Ribas Carli, mas boa parte dos deputados estaduais andava dirigindo seus carros com ordem expressa de devolver as carteiras de motorista.

InteriorO que Justus parece querer – inclusive com um projeto duvidoso que obriga a publicação de atos oficiais em diários pequenos do interior – é cooptar a imprensa, cessar a cobertura bem feita que vem revelando os eternos problemas da Assembleia.

Que a imprensa continue cobrando, e cada vez mais, atitudes importantes dos deputados. Porque foi só com a pressão dos jornais (e da população) que alguma coisa mudou.

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