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Celso Nascimento

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Carne fraca, terra arrasada, fim do mundo... que nome dar?

 
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A semana foi cheia de acontecimentos nada edificantes para a política e políticos paranaenses. Como num efeito dominó, peças sobre peças foram caindo na vala comum dos malfeitos que operações conduzidas pela Polícia Federal, Ministério Público e Justiça Federal trouxeram a público. O cenário parece de terra arrasada – com o defeito de espalhar odores fétidos que, vindos de tantas origens, acaba por embaçar o foco. O balanço é triste:

• A semana começou com a revelação de que Beto Richa foi citado na Lava Jato. Seu nome constou da segunda lista de Janot, divulgada terça-feira (14), fruto das delações do “fim do mundo” feitas por 77 executivos da Odebrecht. Os motivos não foram revelados, mas ele próprio presume que dizem respeito a doações para caixa 2. Beto está tranquilo: todas as doações foram captadas por pessoas de sua estrita confiança, que são regulares e que se responsabiliza por tudo.

• No terceiro aniversário da Lava Jato, a PF deflagrou na sexta-feira (17) a Operação Carne Fraca, a maior de sua história. Mais de mil agentes cumpriram prisões, conduções coercitivas, buscas e apreensões, trazendo à tona um mega esquema de fraudes, propinas e extorsões praticadas por fiscais agropecuários para beneficiar alguns dos maiores frigoríficos do país em seis estados. Enquanto o povo comia carne podre, fiscais, empresários e políticos se locupletavam. Nem mesmo o ministro da Justiça, o deputado paranaense Osmar Serraglio (PMDB), escapou de uma menção constrangedora: foi grampeado pedindo proteção a um “grande chefe” para um dono de frigorífico.

• Também na sexta (17), o Gaeco denunciou dez pessoas por organização criminosa por fraudar licitações do transporte coletivo em Guarapuava, outras cidades do Paraná, Brasília e vários municípios do país. A maioria dos envolvidos – escritórios de advocacia, empresas de engenharia e agentes públicos – teve participação também na licitação do transporte de Curitiba, de 2010. A Operação Riquixá não chegou (ainda) a desdobrar as investigações sobre o que aconteceu em Curitiba, apesar dos indícios.

• Enquanto isso, prossegue a greve dos ônibus de Curitiba, com todos os seus horrores – desde atos de vandalismo e sequestro de veículos perpetrados pelos grevistas até, o que é ainda pior, graves transtornos à população. Parece ser apenas uma discussão trabalhista entre patrões e empregados, mas é bom lembrar que a administração e a manutenção da normalidade do sistema cabem à prefeitura. E o que se vê de sua parte é a inércia; não há real demonstração de vontade para defender o interesse público, nem se ouviu uma única palavra do prefeito Rafael Greca a respeito – que na campanha prometia resgatar a qualidade do transporte curitibano. A rapidez só foi notada quando do aumento da passagem de R$ 3,70 para R$ 4,25. Sem acordo entre as partes, novas rodadas de negociação foram marcadas para a próxima terça. Não é o fim do mundo?

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