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Greca começa a sentir o choque de realidade

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Preocupa o silêncio de Rafael Greca quanto a questões graves e estruturais.

À medida que se aproxima o dia de sua posse como prefeito de Curitiba, Rafael Greca vai se tornando cada vez menos falante. Mesmo ontem, quando foi diplomado pelo TRE, já não se ouviram aqueles arroubos grandiloquentes que o ajudaram a conquistar a vitória em outubro passado. A pergunta é: já teria levado o choque da realidade cruel que o aguarda? Sintoma deste choque está no que disse em seguida: “Eu não vou enganar o povo: vou abrir apenas os postos de saúde que têm equipes completas e pretendo equipá-los em 180 dias”.

Salvo por ideias de natureza cosmética, como a de criar equipes de “zeladores” para percorrer a cidade e anotar problemas miúdos que encontrarem pelas ruas – o que fará do prefeito uma espécie de síndico –, preocupa o silêncio de Greca quanto a questões graves e estruturais – dentre as quais a promessa repetida à exaustão durante a campanha de que faria uma revolução na área de saúde já nos primeiros 180 dias de gestão. Sim, desde que, como disse ontem na diplomação, a Secretaria Estadual de Saúde antecipar verbas e fornecer kits de medicamentos para a prefeitura.

A concretude das promessas agora é suplantada por manifestações de esperança, alegria e muita fé. Tem apelado até mesmo para o Bom Jesus, aproveitando o fato de que este é o nome da rua em que está situada a sede do Ippuc, o instituto de planejamento de Curitiba, no Juvevê.

Greca tem preferido deixar para o vice Eduardo Pimentel o cumprimento de missões importantes, como a de levar ao governador Beto Richa pedidos de colaboração e de recursos. Pessoalmente, já tratou de verbas na visita que fez ao presidente Michel Temer – mas a esperança se esvai um pouco quando ele próprio lembra das crises econômica e política do país. Por isso, não esquece de antecipar seu conformismo: “Se Brasília não nos ajudar, vamos nos virar com o que temos, com a própria arrecadação da cidade”.

O “que temos” é a dívida de R$ 400 milhões que vai herdar, quase o mesmo valor que Gustavo Fruet encontrou quando recebeu de Luciano Ducci o comando da cidade em 2013. O “que temos” também é uma arrecadação que não cobre todas despesas.

Nem por isso, Greca quer parecer desanimado. Apela para sua conhecida retórica para informar os munícipes que assumirá a prefeitura com a alegria de “poder devolver Curitiba aos curitibanos; a alegria de um reencontro baseado no trabalho e no amor; um amor capaz de superar todas as dificuldades”.

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