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Projetos grandiosos, como a ponte de Guaratuba, marcam fim da gestão Richa

Governo lança edital para a construção da ponte sobre a baía de Guaratuba. | Daniel Castellano / Arquivo Gazeta do Povo
Governo lança edital para a construção da ponte sobre a baía de Guaratuba. Daniel Castellano / Arquivo Gazeta do Povo
 
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A construção da ponte sobre a baía de Guaratuba é um sonho antigo e objeto de promessas de todos os governadores desde os mais remotos tempos. A coisa é levada tão a sério que a Constituição do estado, aprovada em 1989, previa a obrigação de o governo providenciar a travessia e aposentar de vez o ultrapassado e inseguro ferryboat.

No finzinho de sua gestão, o governador Beto Richa (PSDB) ressuscita o tema e lança edital para contratar Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) para a construção da ponte de Guaratuba. A empresa vencedora será conhecida no próximo dia 6 de dezembro.

Este é o undécimo projeto que se faz para a construção da ponte - sem falar que já esteve no discurso e nas pretensões do ex-governador Alvaro Dias, no início do anos 1990, e foi repetido depois por Jaime Lerner, Roberto Requião e Orlando Pessuti.

Maquetes e projetos maravilhosos já foram apresentados ao distinto público – inclusive pelo próprio governador Beto Richa, em 2013, quando ele ainda exercia seu primeiro mandato e se preparava para a campanha que o levaria à reeleição.

Agora ele volta ao assunto, coincidentemente às vésperas de um novo ano eleitoral em que, segundo consta, se candidatará a uma cadeira de senador.

Ferrovia

Mas fosse só a ponte de Guaratuba, tudo bem. Neste mesmo finalzinho de governo, Beto Richa lança dois outros projetos de grande envergadura sonhados e nunca realizados. Sabendo que, a exemplo dos seus antecessores que também prometeram os mesmos investimentos, não caberá a ele implantar.

Um deles é a grande ferrovia que ligará a região produtora de Mato Grosso do Sul ao Porto de Paranaguá. Mil quilômetros de trilhos, dos quais apenas 200 e poucos estão prontos – aquele trecho da Ferroeste entre Guarapuava e Cascavel. O resto tem de começar do zero, incluindo a complexa (ambientalmente) travessia da Serra do Mar.

Custo? Dez bilhões de reais, no mínimo. Claro que não totalmente com recursos públicos, mas com o aporte de capitais privados eventualmente interessados em explorar o potencial de cargas de origem agropecuária destinadas à exportação.

Leia também: Projeto de investimento recorde não se concretiza

Claro que não se combate a ideia. Seria a mais importante e necessária obra de infraestrutura que o estado realizaria em décadas. A questão é o timing, ou, para usar palavra mais clara para o entendimento de nós leigos, oportunista – principalmente quando somos lembrados que, ao longo dos últimos sete anos, foi, apenas para citar um exemplo, prometida a construção de presídios que poderiam abrigar sete mil detentos. E que nenhum deles saiu do papel, apesar de constantes dos planos de governo devidamente registrados em cartório.

Uma coisa parece não ter a ver com outra, ferrovia com presídio. Em si mesmas, são obras absolutamente distintas, mas o que as aproxima é o fato de um governo que promete o menos não ter credibilidade para prometer o mais.

Vai pela mesma senda outra promessa grandiosa que surge no fim da feira: Beto Richa anuncia que vai construir a duplicação com recursos do próprio estado da rodovia PR-323 – a infernal estrada, funil entre Maringá e Umuarama responsável por acidentes e mortes quase diários. Com um detalhe: não cobrará pedágio.

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Fácil: como seu mandato terminará dentro de cinco meses; como não foram previstos recursos no orçamento do ano que vem para esta obra; e como nem sequer conseguiu comprar o projeto de engenharia que a Odebrecht (que pelos planos anteriores à Lava Jato seria a concessionária) deixou pronto – não mais terá a responsabilidade de cumprir a promessa.

São hábitos desta natureza, que não são exclusivos de Beto Richa, que levam a população a desenvolver o alto grau de descrédito que devota aos políticos e aos governantes.

Mas não sejamos tão rigorosos assim com o governador: pensemos que há nas suas iniciativas, já em final de gestão, uma preocupação com o futuro. Visão estratégica, como se exige não de governantes, mas de estadistas.

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