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TRIBUTAÇÃO

Corrupção leva R$ 6 milhões ao ano em Londrina

Movimento que cobra mudanças no sistema tributário brasileiro calcula que a corrupção em Londrina desviou R$ 40 mi em seis anos

Dorgival Pereira: impostos altos geram ilegalidade, sonegação e inadimplência |
Dorgival Pereira: impostos altos geram ilegalidade, sonegação e inadimplência
 
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Em média, R$ 6 milhões ao ano de recursos arrecadados em impostos são desviados pela corrupção em Londrina. O cálculo estimado foi feito com base na arrecadação anual média de R$ 1,2 bilhão, pelo coordenador executivo do movimento “Sombra do Imposto”, do Sesi/Fiep, Dorgival Pereira. “O tamanho da corrupção em Londrina estaria, em termos proporcionais ao País, perto de R$ 40 milhões em seis anos. Sem medo de errar.” Pereira esteve ontem em Londrina para ministrar palestra sobre os efeitos da corrupção na carga tributária, tema de cartilha distribuída pelo movimento que cobra mudanças no sistema tributário do País e justiça fiscal.

Amparado em dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), o coordenador afirma que, no Brasil, entre 2002 e 2008, de pouco mais de R$ 6 trilhões de impostos arrecadados, R$ 40 bilhões foram desviados pela corrupção. “Em média, R$ 6 bilhões ao ano. O suficiente para construir 100 mil casas populares”, calcula Pereira. O Brasil está entre os países mais corruptos do mundo. Entre 183 nações, o País ocupa a 73ª posição. Na América Latina, está em 6º lugar. “Quanto mais corrupção, mais recursos são desviados e mais necessidade o governo tem de arrecadar. Isso eleva a carga tributária que, por sua vez, prejudica o setor produtivo, inviabiliza o desenvolvimento industrial, dificulta o crescimento econômico do País e também o nível de competitividade empresarial.” Se a corrupção aumenta a carga tributária, esta também gera a primeira. “É um círculo vicioso porque impostos altos estimulam ilegalidade, sonegação e inadimplência.”

O Brasil transita entre a 10ª e a 14ª posições entre os países do mundo com carga tributária mais alta. No entanto, segundo Pereira, alguns dos países com impostos mais altos que o Brasil devolvem os valores arrecadados à sociedade em serviços públicos de alta qualidade. Já o Brasil, afirma Pereira, é o país que menos retorna à sociedade serviços como educação, saúde, transporte, infraestrutura, segurança e outros. O País é o último colocado, entre 30 países, no Índice de Retorno do Bem-Estar para a Sociedade (Irbes), criado pelo IBPT. A mudança deste cenário, de acordo com o assessor da presidência da Fiep Londrina, Clóvis Coelho, depende da conscientização da população sobre a grande quantidade de impostos que se paga hoje em Londrina, no Paraná e no Brasil. De todo o montante pago, 70,5% é imposto federal; 24% estadual e 6% municipal. Só à União são pagos 75 tributos. E de acordo com estudos feito pelo movimento da Fiep, 70% da população desconhece essas informações.

“É crucial que a população tenha conhecimento e passe a cobrar os parlamentares para que estes exijam do governo mudanças como os ajustes de uma política nacional tributária mais justa e justiça fiscal, que é o retorno à população”, afirma Pereira.

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