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Delações da Odebrecht prometem “fevereiro explosivo” em Brasília

Responsável pela Lava Jato no STF, Teori Zavascki deve tornar público no mês que vem o conteúdo das colaborações premiadas dos 77 executivos da empreiteira. O pouco que vazou à imprensa mostra o potencial de danos ao Planalto

  • Kelli Kadanus
 | J.F.Diorio/ESTADÃO CONTEÚDO
J.F.Diorio/ESTADÃO CONTEÚDO
 
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A profunda crise política enfrentada pelo país deve ganhar um novo episódio no mês que vem, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavaski deve tornar públicos os depoimentos de colaboração premiada de 77 executivos da Odebrecht, firmados no âmbito da Operação Lava Jato. Considerada a “delação do fim do mundo”, a colaboração já trouxe à tona denúncias contra o presidente Michel Temer (PMDB), integrantes do governo e importantes figuras do Congresso. Segundo a estimativa dos investigadores, os depoimentos devem se tornar públicos na segunda quinzena de fevereiro. A partir da publicidade das delações, o governo federal pode ter vários incêndios a apagar.

“É de se esperar que o ano político comece com muita tensão por causa da Lava Jato e da Zelotes”, aposta o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Antônio Flávio Testa. “O número de pessoas envolvidas deve aumentar”, acredita.

A capital federal, inclusive, deve virar o centro das atenções com a divulgação dos depoimentos, deslocando o foco da Lava Jato de Curitiba para Brasília. Os delatores da empresa, que pediu desculpas públicas pelos malfeitos, denunciaram propina a políticos e operadores no Brasil e exterior em troca da conquista de obras públicas. Nesse contexto, aliados próximos ao presidente Temer podem ser diretamente atingidos, trazendo mais turbulência política para o governo.

Até agora, o presidente já precisou trocar vários ministros por causa de denúncias de corrupção – oriundas da Lava Jato e outras investigações em curso. Somente no primeiro depoimento tornado público, do ex-vice-presidente de relações institucionais da empreiteira Claudio Melo Filho, foram citados, além de Temer, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, o secretário do Programa de Parcerias de Investimento, Moreira Franco, o líder do partido no Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o líder do governo no Congresso, Romero Jucá (PMDB-RR) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

A publicidade dos depoimentos pode obrigar a troca de ministros importantes de Temer. “Ele terá que fazer uma reforma no começo do ano por conta da nova correlação de forças que resultará das eleições da Câmara e do Senado. E ele ainda pode ter esse agravante [das delações]”, analisa Testa.

Para o cientista político da UnB, as operações Lava Jato e Zelotes devem ter muitos desdobramentos no governo. “Os impactos são previsíveis, mas as consequências são imprevisíveis”, diz. “Pode ter prisões, e a prisão de um ministro forte, de um político do alto clero, causa um desgaste muito grande”, exemplifica Testa.

R$ 10 milhões

A primeira delação tornada pública, de Melo Filho, abalou Brasília no final do ano passado e envolveu 48 nomes. O nome do presidente Temer aparece 43 vezes no depoimento. Segundo o executivo, o ex-presidente teria pedido R$ 10 milhões à empreiteira para o PMDB na campanha de 2014. Melo Filho garante ter provas documentais em relação ao pedido. Segundo o executivo, parte dos recursos teriam sido entregues a José Yunes, ex-assessor de Temer – que pediu demissão do cargo depois que o depoimento de Melo Filho veio à tona, no ano passado.

O ex-presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, confirmou o depoimento de Melo Filho. Ele contou aos investigadores de uma reunião no Palácio Jaburu em 2014, com o então vice-presidente Michel Temer e o atual ministro da Casa Civil Eliseu Padilha, para tratar do assunto. Marcelo Odebrecht está preso em Curitiba e já foi condenado a quase 20 anos de prisão pelo juiz federal Sergio Moro. Os depoimentos dele são considerados os mais bombásticos pelos investigadores do caso.

Lula e Dilma

A relação da empreiteira com os ex-presidentes petistas Lula e Dilma Rousseff também deve ser detalhada nos depoimentos. As informações devem ser dadas pelo patriarca da empresa Emílio Odebrecht e pelo ex-presidente Marcelo. Esse último teria confirmado também o pagamento de mesadas no valor de R$ 50 mil a um dos principais assessores de Dilma, Anderson Dornelles – que nega as afirmações de Odebrecht.

A delação também pode trazer detalhes sobre a compra de um terreno em São Paulo para a construção de uma nova sede do Instituto Lula – o caso foi objeto de uma denúncia da força-tarefa em Curitiba.

Odebrecht também cita nos depoimentos nomes de tucanos, como do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do ministro de Relações Exteriores, José Serra.

Colaborou Fernando Martins

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