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Brasília (AE) – O diretor de Marketing e Comunicação do Banco do Brasil (BB), Henrique Pizzolato, deixou ontem o cargo depois de ter seu nome citado pela ex-secretária Fernanda Karina Sommagio como pessoa próxima do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, suspeito de ser um dos operadores do mensalão.

A saída de Pizzolato deu-se depois de ele ter apresentado pedido de aposentadoria do banco, onde trabalhava há 31 anos.

O ato foi encarado como uma antecipação ao fato de que ele estaria para ser demitido do cargo a pedido do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, já na próxima semana.

Fontes próximas a Pizzolato disseram que ele já vinha se sentindo desconfortável até mesmo antes do surgimento do escândalo de corrupção sobre a compra de votos de deputados federais pelo Partido dos Trabalhadores (PT). "Há cerca de 30 dias, ele já manifestava o interesse em sair da diretoria", disse uma fonte. Pizzolato, de acordo com essa fonte, vinha se sentindo muito visado no posto que ocupava.

"Ele estava procurando um lugar em que ficasse mais tranqüilo", disse a mesma fonte. Na diretoria do BB, Pizzolato fazia a gestão de um orçamento de publicidade de aproximadamente R$ 140 milhões.

A definição do substituto de Pizzolato na Diretoria de Marketing deverá ser anunciada ainda hoje pelo presidente do Banco do Brasil, Rossano Maranhão.

Previ

Pizzolato sairá imediatamente da presidência do Conselho Deliberativo da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do banco. O estatuto do fundo – o mais poderoso investidor isolado do país, responsável pela administração de um patrimônio de R$ 70 bilhões – não permite que funcionários inativos façam parte do conselho, que equivale ao Conselho de Administração de empresas privadas, no qual são reunidos os acionistas controladores do grupo.

Caberá à diretoria do BB, patrocinador da Previ, indicar o substituto de Pizzolato. Até a decisão ser anunciada, o cargo será ocupado, interinamente, por um dos dois suplentes indicados pelo BB: Juraci Masieri ou Pedro Carlos de Mello. A atuação de Pizzolato na Previ foi criticada nos bastidores da administração do fundo.

Maior fundo de pensão da América Latina, a Previ tem ativos da ordem de R$ 72 bilhões. Antes de assumir a presidência do conselho deliberativo, Pizzolato chegou a ser eleito pelos funcionários como representante dos trabalhadores na entidade. Pizzolato era tido como uma indicação do secretário de Comunicação de Governo, Luiz Gushiken.

Antes de ser citado no caso envolvendo o empresário Marcos Valério, Pizzolato envolveu-se na polêmica compra de ingressos do show da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano no restaurante Porcão. Nessa ocasião, a área de marketing do BB comprou o equivalente a R$ 40 mil em ingressos.

A polêmica surgiu em função de o dinheiro arrecadado na apresentação ter sua destinação para a construção da nova sede do PT. A saída de Pizzolato foi a terceira no BB em pouco mais de uma semana. Na semana passada, já haviam deixado o banco os vice-presidente de Varejo, Édson Monteiro, e de Finanças, Luiz Eduardo Franco de Abreu.

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