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Michel Temer: fusão com o DEM pode aumentar cacife do vice de Dilma. | Christian Rizzi/Gazeta do Povo
Michel Temer: fusão com o DEM pode aumentar cacife do vice de Dilma.| Foto: Christian Rizzi/Gazeta do Povo

Orçamento

Dilma promete reajustar Bolsa Família

Folhapress e Agência Estado

A presidente eleita, Dilma Rousseff, afirmou ontem, em entrevista à TV Brasil, que pretende reajustar o valor do Bolsa Família. Ela disse que ainda não decidiu se o reajuste do benefício fará com que o governo revise o orçamento da União aprovado para o próximo ano. "Eu tenho o objetivo de reajustar e garantir os recursos do Bolsa Família para que eles não tenham perdas inflacionárias e que tenham ganho real", disse Dilma.

De acordo com a presidente eleita, a erradicação da pobreza será a meta central de seu governo. "É uma questão de concepção. Na concepção do projeto que eu represento, e do qual, obviamente, o presidente Lula é um dos grandes líderes, o crescimento econômico não pode ser desvinculado da melhoria das condições de vida da população. A questão social não é um adereço de mão, não é um anexo ao nosso programa, nem ao nosso governo. Eu vou tornar essa meta de erradicação da pobreza como uma meta central."

Dilma também afirmou ontem, em entrevista ao Jornal do SBT, que irá negociar com as centrais sindicais a proposta de reajuste do salário mínimo do ano que vem. "Nós vamos de maneira sistemática valorizar o salário mínimo", afirmou. Dilma afirmou que pretende manter a fórmula de reajuste que considera a inflação do ano anterior àquele em que é dado o aumento e o valor do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores.

Ela voltou a dizer que pretende ser a presidente de "todos os brasileiros" e conversar com a oposição. "Eu farei todo o esforço no sentido de reunir o Brasil todo no crescimento do país", disse.

Dilma disse que terá todo cuidado no preenchimento de cargos ao combinar "capacidade técnica e liderança jurídica".

Já em entrevista à TV Ban­deirantes, à noite, a presidente eleita fez questão de esclarecer o que entende por controle social da mídia. Dividiu a questão em controle do conteúdo, o que classificou como "absurdo", e em marco regulatório. "Um dos pontos a ser regulado é a participação de capital estrangeiro em empresas de comunicação", declarou.

A petista reiterou ainda que fará um esforço para unir o país, dividido depois das eleições, e que será rigorosa nos critérios para compor sua equipe de governo. "Não terei a menor tolerância com malfeitos."

Depois de pressão do PMDB, o vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB), foi indicado ontem pela presidente eleita, Dilma Rousseff, para coordenar a equipe de transição que começará seus trabalhos, oficialmente, na próxima segunda-feira.

No primeiro dia após o resultado da eleição, na segunda passada, Dilma havia se reunido com os seus coordenadores petistas, tendo definido que a coordenação política da transição caberia ao presidente do partido, José Eduardo Dutra, e a transição técnica ao ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci.

Os dois nomes permanecem com as mesmas funções, mas estarão subordinados, pelo menos no papel, a Temer. A reportagem apurou que a medida tem o objetivo de conter insatisfação no PMDB, o maior dos dez partidos oficialmente aliados em torno de Dilma. Agora, o partido tem de lidar também com pressões de outros partidos, como PDT e PSB.

A nota divulgada pela assessoria de Dilma diz que cerca de 30 nomes da equipe de transição foram encaminhados ao presidente Lula. Conforme a lei, o grupo de transição é nomeado pelo presidente e publicado no Diário Oficial da União. "Na oportunidade, [Dilma] esclarece que a coordenação política dessa equipe será feita pelo vice-presidente eleito Michel Temer; pelo coordenador-geral da campanha, José Eduardo Dutra; e pelos deputados federais Antonio Palocci e José Eduardo Cardozo."

Cardozo atuará tanto na área política quanto na técnica.

O presidente do PT disse que as pessoas indicadas não são "do partido". "São pessoas que já estavam trabalhando na campanha e estão integradas nesse processo de transição. Essas pessoas vão levantar questões que devem ser objeto de conhecimento do governo que entra."

Composição

Dutra falou com os jornalistas após deixar a casa de Dilma, no Lago Sul, em Brasília. Ele fez questão de ressaltar que a equipe de transição terá uma função técnica, que não tratará de indicação de nomes para o ministério. Ele reafirmou que caberá a ele, Dutra, recolher as sugestões com os partidos, a partir da próxima semana, e levá-las para Dilma. O petista negou que a indicação de Temer seja fruto de pressão do PMDB.

"No momento, vou ouvir aquilo que eles [os partidos] entendem como importante para o próximo governo. O Palocci vai trabalhar na questão mais técnica. Como o Michel Temer é o vice-presidente, ele vai coordenar esse processo. A questão da composição de governo está sendo feita por meio de conversas com diversos partidos, mas quem vai definir isso é a presidente eleita."

Dutra deveria se reunir na noite de ontem com o PMDB, na casa de Temer. Além da composição do novo governo, será discutida a eleição para a presidência da Câmara, cadeira disputada pelo PT e pelo PMDB.

Dilma viaja hoje para Porto Alegre, onde vai descansar, e deve voltar a Brasília no próximo fim de semana.

PSB e PDT

Ontem, dois outros partidos da base de Dilma também mostraram disposição de cobrar mais espaço no futuro governo. Fortalecido com a eleição de seis governadores, a maioria no Nordeste, o PSB não esconde que vai brigar, sobretudo com o PMDB, por dois ministérios estratégicos: Cidades e Integração Nacional.

O presidente do PSB, Eduardo Campos, reeleito governador de Pernambuco, foi chamado para uma conversa hoje à noite em Brasília com o presidente do PT, José Eduardo Dutra.

"Vamos ouvir primeiro como Dilma está imaginando a formação do governo, saber os perfis. Nossa posição de apoio nunca se deu em função de cargos e, no governo Lula, ajudamos nos lugares onde participamos", afirmou Campos, que se recusa a antecipar nomes da sigla.

Já Carlos Lupi, presidente nacional licenciado do PDT e ministro do Trabalho, afirmou que o partido quer "avançar em outros espaços", no próximo governo. O pedetista vai se reunir na semana que vem com José Eduardo Dutra. "O PDT pode colaborar com quadros experientes em vários setores, especialmente na área social, de minas e energia, petróleo. Tudo que envolve a área social nos interessa."

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