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eleições 2016

Trunfo em 2012, região nobre de Curitiba retira 40% dos votos de Fruet neste ano

Rejeição ao PT e gestão pouco voltada à infraestrutura da cidade explicam parte da queda

Implantação da via calma na Avenida Sete de Setembro é uma das principais reclamações dos moradores do Batel. | Henry Milleo/Gazeta do Povo
Implantação da via calma na Avenida Sete de Setembro é uma das principais reclamações dos moradores do Batel. Henry Milleo/Gazeta do Povo
 
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Em 2012, Gustavo Fruet passou ao segundo turno das eleições municipais graças aos votos que obteve na Região Norte de Curitiba, especialmente na Zona Eleitoral 177, que reúne, entre outros, os bairros do Batel, Água Verde e Bigorrilho.

E foi justamente nesta região que o atual prefeito perdeu o maior número de votos nas eleições deste ano: ele perdeu 40% dos votos em seu principal reduto eleitoral.

MAPA: Veja como foi a votação nos bairros de Curitiba

A rejeição desses eleitores ao Partido dos Trabalhadores e a dificuldade da prefeitura em atender às principais demandas destes bairros explicam a queda do desempenho do atual prefeito.

Moradora do entorno da Praça do Japão há cerca de 30 anos, uma advogada que preferiu não revelar o nome por ter relações pessoais com o atual prefeito, resume o sentimento de rejeição. “O Fruet é meio ligado ao PT, e o povo aqui do bairro não vota no PT, não adianta”, afirmou.

A princípio, o argumento parece inconsistente, já que nas eleições de 2012 Fruet estava ainda mais ligado ao PT, com o cargo de vice sendo ocupado pela petista Mirian Gonçalves. Entretanto, esta eleição trouxe dois fatores que não estavam presentes em 2012.

O primeiro deles é o desgaste do PT em decorrência da evolução da Operação Lava Jato. Paulo Goldbaum, que preside o Conselho de Segurança do Água Verde, afirma que em conversas com os vizinhos e amigos do bairro, percebeu que a aliança passada não foi esquecida. “O pessoal fica indignado com relação às coisas do PT, com a roubalheira que aconteceu. Ninguém pode compactuar com isso”, afirma.

O outro fator novo nestas eleições, segundo análise do diretor da Paraná Pesquisa, Murilo Hidalgo, é a presença de candidatos que têm boa relação com os eleitores da região.

“Os adversários de Fruet em 2012 não eram identificados com essa classe. Ducci e Ratinho não trafegavam bem nessa área; Greca e Ney trafegam”, avalia.

Para Hidalgo, esses dois fatores, ainda que importantes, poderiam ter sido “perdoados” pelo eleitor caso a prefeitura tivesse prestado bons serviços aos curitibanos, mas, segundo ele, isso não aconteceu.

De acordo com dados coletados pela própria prefeitura nas consultas públicas para a elaboração do orçamento municipal, os principais problemas identificados nos dez bairros que integram a Zona 177 foram segurança, trânsito, iluminação pública e condição das vias públicas.

Orçamento não atendeu a demandas urbanísticas

Os temas mais reivindicados pelos moradores da Zona 177 e as prioridades estabelecidas pela prefeitura no orçamento municipal caminharam em direções opostas. Com exceção da segurança pública – que é primordialmente função do estado – as outras queixas estão relacionadas aos gastos municipais da função urbanismo.

Durante a gestão Fruet, esta fatia de despesas caiu paulatinamente. Em 2013, foram empenhados R$ 1,5 milhões em urbanismo; em 2015, o valor foi de R$ 1,1 milhão, o que resulta em uma queda nominal de 23%.

Em entrevista concedida em maio à Gazeta do Povo, o superintendente da Secretaria de Finanças, José Carlos Marucci, afirmou que a prefeitura optou por priorizar projetos sociais em detrimento à manutenção das vias públicas. “Em um momento de crise, em que as pessoas perdem emprego, deixam de usar plano de saúde, precisam do posto e da escola pública”, diz.

Secretaria de Trânsito também é alvo de queixas

Além das queixas decorrentes da falta de intervenções físicas na cidade, os moradores da região dos bairros Batel e Água Verde também apontam a gestão do trânsito como problemas da prefeitura de Fruet.

Paulo Goldbaum, presidente do Conselho de Segurança do Água Verde, reclama da intransigência da Secretaria de Trânsito.

“Parece que a Setran não escuta, parece que é surda. Ela coloca suas razões como preponderantes”, afirma Goldbaun, enumerando diversas solicitações feitas pela comunidade e não atendidas pelo órgão. O líder comunitário também se queixou do que chamou de postura “exclusivamente punitiva” do órgão.

“A Setran costuma visitar as saídas de restaurantes do bairro e multar todo mundo. Para que fazer isso? É um horário que não tem nem movimento. Eles têm um itinerário só para multar. Qual o sentido educativo disso?”, questiona.

Já o presidente da Associação dos Condomínios do Batel, Paulo Nascimento, aponta problemas na via calma instalada na Avenida Sete de Setembro – faixa exclusiva para bicicletas com limite de velocidade de 30 km/h. Segundo ele, os dois maiores problemas são o fato de o projeto ter sido implementado sem a devida discussão com a comunidade e o fato de a via ficar mais estreita na altura da estação tubo Bento Viana.

“Somos contra a via calma. Devia colocar na frente da casa dele, e não na casa dos outros sem antes discutir com a comunidade”, afirmou.

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