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Nãção indignada

A “culpa” dos franceses

 
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Não é somente Cesare Battisti que declara sua própria inocência. Ele conseguiu o apoio de intelectuais franceses, como o filósofo Bernard-Henri Lévy e a historiadora e arqueologista Fred Vargas. Ambos questionam a condenação do italiano. Fred promoveu uma grande investigação sobre as procurações que Cesare Battisti teria dado ao advogado Giuseppe Pelazza, que o defendeu nos processos na Justiça italiana. Ela afirma que as assinaturas foram falsificadas.

Recentemente, o professor de Literatura e escritor italiano Antonio Tabucchi escreveu um artigo no jornal parisiense Le Monde criticando os intelectuais franceses pela defesa que fazem de Battisti – parte do texto teria sido censurada, o que gerou muita reclamação do autor. Muitos italianos têm essa mesma impressão.

“Talvez a principal causa do que está acontecendo em torno do Battisti tenha origem nesse ambiente intelectual francês, pouco comprometido com a realidade. O Tabucchi fez uma colocação: será que eles sabem ler bem em italiano? Pois isso é necessário, para compreender bem a história italiana”, diz o deputado Fabio Porta, da Itália. Para o deputado italiano Giovanni Bachelet, o Brasil parece ter sido muito influenciado pela visão francesa de que todos os movimentos revolucionários que tiveram origem em 1968 estavam do lado certo.

Alessandro Santoro, que perdeu o pai em 1978, morto pelo grupo PAC, de Battisti, também faz suas formulações sobre os vizinhos. “A inteligência francesa é muito enamorada da versão de que Battisti estava do lado certo, que era um Robin Hood defendendo os pobres. Mas isso só porque eles não conviveram com o terrorismo”, diz Santoro.

A França e a Alemanha eliminaram logo os focos revolucionários que emergiram após 1968. “Mas, na Itália, não se encontrou um meio de estancar o fenômeno, e ele foi crescendo. Como os franceses não sentiram o terrorismo na pele, não sabem como um país democrático pode combatê-lo”, diz Santoro. Para ele, essa visão – que ganhou força com a doutrina Mitterrand, em vigência nos anos 80, de dar asilo a ex-terroristas – é bastante “ingênua”. “Se no território francês eles gostam das fábulas, sinto muito por eles. É preciso maturar mais as coisas”, diz.

Para Santoro, além da influência francesa, há muitos interesses econômicos em jogo. “Neste momento, o Brasil é uma liderança emergente, que tenta se firmar como liderança mundial. É um pecado que o país esteja tentando fazer isso com esse caso. Pecado para mim. Mas essa não é minha história. Minha história é lembrar do cheiro do café do meu pai, das nossas brigas e dos nossos momentos de alegria. Essa dimensão que o assunto ganhou está muito longe do meu alcance.”

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