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Investigação

Ex-diretor da Petrobras delata pagamento de propina a políticos

Em acordo de delação premiada, Paulo Roberto Costa entregou nomes de parlamentares e governador que teriam recebido comissão sobre contratos da estatal

  • Da Redação, com Estadão Conteúdo
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O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa citou ontem nomes de senadores, deputados federais e ao menos um governador que receberiam 3% de comissão so­­bre o valor de cada contrato da Petrobras firmado durante sua gestão na diretoria de Abastecimento da estatal. Desde o dia 29 de agosto, ele está depondo em regime de delação premiada para tentar obter o perdão judicial. Costa é alvo da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que desmantelou um grande esquema de lavagem de dinheiro e corrupção na Petrobras.

INFOGRÁFICO: Veja casos em que Costa estava envolvido

O número de políticos que estariam envolvidos, porém, ainda é divergente. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o ex-diretor da Petrobras deu o nome de 12 senadores, 49 deputados federais e um governador. Já o Estado de S. Paulo afirma que Costa citou pelo menos 32 deputados e senadores, um governador e cinco partidos políticos que receberiam comissão sobre contratos da estatal. O site da revista Veja, por sua vez, diz que "três governadores, seis senadores, um ministro de Estado e pelo menos 25 deputados federais embolsaram ou tiraram proveito de parte do dinheiro roubado dos cofres da estatal".

Relatos

Costa relatou a formação de um cartel de empreiteiras dentro da Petrobras, em quase todas as áreas da estatal. Partidos políticos eram supostos beneficiários de recursos desviados por meio de comissões em contratos arranjados. E exemplificou que "todo dia tinha político batendo em sua porta". Num depoimento, ele citou uma conta de um "operador do PMDB" em um banco europeu.

O ex-diretor contou que os desvios nos contratos da Petrobras envolveriam desde o funcionário do terceiro escalão até a cúpula da empresa, durante sua gestão na diretoria de Abastecimento, entre 2004 e 2012. O ex-executivo também citou quase todas as grandes empreiteiras do país que conseguiram os contratos. Inicialmente seu alvo foram as empresas, mas não havia como isentar os políticos, uma vez que, segundo ele, foram beneficiados com propinas. Por causa da citação aos políticos, que têm foro privilegiado, os depoimentos serão remetidos para a Procuradoria Geral da República. A PGR disse que só irá receber a documentação ao fim do processo.

Perdão judicial

O acordo de delação premiada assinado por Costa prevê praticamente o perdão judicial. A pena que ele receberá será mínima comparada aos 50 anos que poderia pegar se responder aos processos – já é réu em duas ações, uma sobre corrupção na Petrobras e outra sobre ocultação e destruição de documentos.

O acordo prevê que o ex-exe­cutivo será colocado em liberdade quando encerrar os depoimentos. Ele deve ficar um ano usando tornozeleira eletrônica, em casa, no Rio, sem poder sair na rua.

Os depoimentos têm sido longos. No primeiro dia foram mais de quatro horas. Um advogado do Paraná que esteve com ele diz que Costa está "exausto, mas se diz aliviado". Os depoimentos são todos filmados e tomados em uma sala na Custódia da PF em Curitiba. Ao final de cada dia os depoimentos são lacrados e criptografados pelo Ministério Público Federal, que os envia diretamente para a PGR, em Brasília.

Renan Calheiros é citado em depoimentos da Lava Jato

Estadão Conteúdo

O nome do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi mencionado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa em depoimentos prestados à Justiça na tentativa de conseguir o perdão judicial por meio da delação premiada.

Um dos negócios mencionados envolvendo Renan é um acerto com o doleiro Alberto Youssef para que o Postalis comprasse R$ 50 milhões emitidos da Marsans Viagens e Turismo, que tinha Youssef como um dos investidores. O doleiro teria se reunido com Renan, em Brasília, no início de março, para acertar a comissão do PMDB nesse negócio. O fundo de pensão dos Correios é controlado pelo PMDB e PT. O negócio não ocorreu porque estava em curso quando Youssef e Paulo Roberto foram presos. A empresa fechou após as prisões. A assessoria de Renan afirmou que não localizou o senador para comentar o assunto.

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