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Jovens fazem passeata no Rio contra irregularidades na eleição

Multidão: idéia do protesto nasceu na internet e adesão surpreendeu até os organizadores do movimento que se diz apartidário |
Multidão: idéia do protesto nasceu na internet e adesão surpreendeu até os organizadores do movimento que se diz apartidário
 
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A guerra suja que marcou a eleição municipal no Rio levou dois mil jovens às ruas do centro da cidade ontem para pedir punição aos crimes eleitorais, numa mobilização política diferente. Sem lideranças formalmente constituídas ou o suporte de movimentos estudantis, o encontro foi marcado pela internet. Reunidos na escadaria da Câmara dos Vereadores, na Cinelândia, no início da tarde, eles seguiram em passeata até a sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), onde protocolaram um abaixo-assinado pedindo rigor na apuração das denúncias de boca de urna, fraudes, uso da máquina e campanha negativa apócrifa que acreditam terem influenciado o resultado da eleição na cidade. O candidato do PV, Fernando Gabeira, perdeu para Eduardo Paes (PMDB) por menos de 2% dos votos.

Embora a maioria se identificasse como eleitora de Gabeira e atribuir o jogo sujo a Paes, os manifestantes fizeram questão de rechaçar qualquer ligação com políticos, partidos e entidades de classe, insistindo em chamar a ação de “apartidária”. Apesar da contradição, as referências a políticos foram mesmo proibidas. Uma mulher que compareceu com uma bandeira com o nome de Gabeira foi vaiada e obrigada a trocar a camiseta do PV por uma preta, cor que quase todos usavam em protesto. Alguns traziam ainda apitos e narizes de palhaço. Outros pintaram o rosto com as cores da bandeira do Brasil.

Alguns manifestavam a esperança de ver o pleito anulado e outros defendiam apenas punições para que abusos não se repitam. “Há casos de urnas em que 250 votos desapareceram. Sei que isso não é suficiente para anular uma eleição, mas é preciso analisar todos esses pequenos casos para ver se houve um efeito maior. Não vamos mais aceitar isso”, disse João Marinho, de 18 anos, que segurava uma urna de papelão.

A estudante secundarista Patrícia Carvalho, de 18, admite que não haveria ato se Gabeira tivesse vencido, mas defende que o objetivo agora é influenciar o futuro. “Tínhamos esperança, por isso não fizemos nada antes. Era o bem contra o mal. Mas não estamos defendendo Gabeira, queremos um novo modo de fazer política. Eu vi muita boca de urna, fiquei indignada. Se Gabeira tivesse feito a mesma coisa para vencer, também estaríamos contra ele.”

A falta de um discurso único não impediu a coordenação do movimento, que segue as diretrizes da campanha de Gabeira. Além do uso intensivo da internet, eles não distribuíram panfletos para não sujar a cidade. O movimento, batizado de Pró-Democracia, nasceu das discussões entre amigos numa comunidade criada num site de relacionamentos na internet que na quinta-feira já tinha mais de 13 mil participantes. O encontro foi marcado pela internet e o comparecimento surpreendeu até mesmo os que atuaram como organizadores da passeata.

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