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A saída do coronel César Kogut do comando da Polícia Militar não agradou a cúpula da PM. Conforme apurou a reportagem, a intenção do coronel era de deixar o comando desde que o secretário de Segurança do estado Fernando Francischini se eximiu da culpa pela ação ocorrida no Centro Cívico na semana passada, mas Kogut acabou ficando por apelo de colegas da corporação. Na quarta-feira (6), associações que representam os policiais já haviam manifestado repúdio às declarações do secretário.

Para o coronel Elizeo Furquim, presidente da Associação de Defesa dos Direitos dos Policiais Militares Ativos, Inativos e Pensionistas (AMAI), mesmo com a troca de comando, o relacionamento da instituição com o secretário é insustentável. “A desconfiança que se instalou é permanente e não foi apenas em relação ao comandante [Kogut]. Ele [Francischini] está incompatibilizado com a corporação”, declarou. A AMAI deve ingressar com uma ação de improbidade administrativa contra o secretário. Segundo Furquim, “na pior das hipóteses”, o governador deveria trocar ambos. “Ele poderia aproveitar a oportunidade para tirar um ganho qualquer nesse sentido, no sentido de mudanças positivas, mas não vejo como isso possa ser estabelecido com esse grau de desconfiança com o secretário. Ele também precisa ir embora para partimos para uma vida nova na corporação.”

Crise institucional

Para o sociólogo e coordenador do Centro de Estudos da Violência da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Pedro Bodê, a área da segurança pública do estado passa por uma “crise institucional sem precedentes”. “Virou um jogo de empurra-empurra. Não me espantaria se os punidos forem alguns soldados que puxaram o gatilho contra os manifestantes, enquanto que os responsáveis estavam no comando da operação, envolvendo Executivo e Legislativo”, disse.

Para ele, a situação deveria ser resolvida com a composição de um gabinete de crise, no qual conversariam o governador, o secretariado e o comando da PM para, finalmente, encontrar uma solução para o problema. Bodê aponta ainda que essa crise pode gerar efeitos à população. “A segurança pública do estado pode ficar prejudicada, enquanto o momento deveria ser usado para produzir mudanças positivas ”, observa.

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