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Antonio Costa / Agencia de Noticias Gazeta do Povo

Antonio Costa / Agencia de Noticias Gazeta do Povo / Cinco homens foram assassinados com tiros na noite de sexta feira em Piraquara. Policiais encontraram a casa revirada Cinco homens foram assassinados com tiros na noite de sexta feira em Piraquara. Policiais encontraram a casa revirada
Violncia

Chacina deixa cinco mortos em Piraquara

Entre as vtimas est Jorge Grando, ex-secretrio de meio ambiente de Pinhais e seu irmo Antonio Luiz Grando. Dois homens so suspeitos do crime

23/04/2011 | 10:15 | atualizado em 23/04/2011 s 11:18
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Cinco homens foram mortos brutalmente em uma chacina na noite de sexta-feira em um loteamento de chcaras na cidade de Piraquara, regio metropolitana de Curitiba. O caso chama a ateno da polcia, porque as vtimas no tinham motivos aparentes para serem assassinadas.

O crime aconteceu na casa dos irmos Antonio Luis Carvalho Grando e Jorge Roberto Carvalho Grando, ambos eram funcionrios da prefeitura de Pinhais. Jorge Grando j havia sido secretrio de meio ambiente do municpio. Eles moravam em uma rea ecolgica e estavam reunidos com outros trs amigos que haviam comprado lotes no local um deles era vizinho e dois pretendiam se mudar para l.

Aniele Nascimento/Agencia de Noticias Gazeta do Povo

Aniele Nascimento/Agencia de Noticias Gazeta do Povo / Jorge Grando, ex-secretrio de meio-ambiente de Pinhais, morto em chacina
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Jorge Grando, ex-secretrio de meio-ambiente de Pinhais, morto em chacina

Ambientalista com reconhecimento internacional

Jorge Grando era reconhecido at internacionalmente como o ambientalista que lutava pelas causas da natureza. Ele foi responsvel por criar o Dia do Rio, comemorado em 24 de novembro.

Ganhou um prmio no Japo pelo projeto Menino de Vime, que aliava o plantio do vime, sem explorar a natureza, com a necessidade do material para a fabricao de mveis. Ele tambm j havia sido secretrio do meio ambiente na prefeitura de Pinhais e fundou a ONG Associao Paranaense de Preservao Ambiental do Rio Iguau e Serra do Mar (Appam), em 1997.

Jorge estava envolvido em um projeto de transformar o condomnio de Piraquara em uma regio ambientalmente correta, o nome do local era ecovila e fica prximo s nascentes do Rio Iraizinho. Jorge dizia que queria transformar o local em um cinturo de preservao da natureza at a Serra do Mar.

Na chcara, onde ocorreu o crime, a maior parte da vegetao preservada, o esgoto tratado em um sistema com razes de plantas e a gua usada vem de poos artesianos e da captao da gua da chuva. O Jorge era desapegado ao dinheiro. Ele queria viver num mundo melhor e se doava muito para concretizar seus sonhos, afirma o amigo Irineu Nogueira, atual presidente da Appam. Jorge tambm protagonista na constituio de uma tribo indgena que existe em Piraquara. Ele encontrou os ndios numa rodovia e comeou a lutar pela causa indgena, at que encontrou um pedao de terra onde os ndios pudessem viver.

As outras vtimas so Albino Silva, funcionrio da Sanepar; Gilmar Reinert, empresrio; e Valdir Vicente Lopes, agente da Penitenciria Central do Estado.

O crime teria ocorrido, segundo a Delegacia de Piraquara, que cuida do caso, entre 23h15 de sexta-feira e 0h15 de sbado. Os amigos estavam em um galpo ao lado da casa dos Grando fazendo um churrasco e teriam sido rendidos nesse local por trs pessoas ou mais. Eles foram conduzidos at a pequena cozinha da casa, foram amarrados com as mos para trs com fios de luz e arames e foram alvejados na cabea. Na residncia, foi encontrado um estojo de munies de calibre 9 milmetros.

Albino, que era vizinho dos Grando, havia sado para comprar remdios para a filha recm-nascida e pode ter parado para falar com os amigos ou ainda pode ter ido ao local depois de perceber uma movimentao estranha na casa. Ele no seria o alvo, segundo a polcia, mas acabou morrendo. A esposa dele, estranhando a demora, foi at o local e encontrou os corpos na casa dos Grando. A Delegacia de Piraquara trabalha com duas hipteses na investigao: vingana contra Jorge Grando ou latrocnio.

Primeiramente o roubo seguido de morte havia sido descartado, porque nenhum objeto nem os carros foram levados. Mas como a casa estava totalmente revirada, a polcia acredita que os criminosos estavam em busca de um possvel dinheiro que os irmos Grando poderiam guardar na chcara por causa da venda dos loteamentos (a rea pertencia a eles h pelo menos duas dcadas). Jorge vendia alguns lotes porque queria transformar o local em um condomnio ecologicamente correto para viver.

Dois suspeitos, que conheciam as vtimas, esto sendo investigados pelo crime. Mas a polcia no deu mais detalhes sobre as investigaes.

Os irmos Grando e Albino podero ser velados na Cmara Municipal de Pinhais, mas a informao ainda no foi confirmada. A famlia do agente penitencirio Valdir (que atuava h pelo menos 20 anos na profisso) ainda no havia definido, at o fechamento dessa edio, onde ele seria velado e enterrado.

O scio do empresrio Gilmar, Murilo Chemin, disse que o corpo do amigo ser velado na Igreja Conjunto Gralha Azul e o enterro ser no Cemitrio do Santa Cndida. O Gilmar ainda no morava l, mas estava prestes a se mudar. Eu tambm pensava em me mudar para l, mas agora no sabemos o que fazer. O condomnio era um sonho de se viver em paz com a natureza, afirma o empresrio Murilo Chemin. Gilmar era casado e deixou dois filhos maiores de idade. Jorge Grando era divorciado e tinha um filho de 5 anos.


O prefeito de Piraquara Gabriel Samaha, conhecido como Gabo, lamentou o episdio e disse que a regio do condomnio sofre com a falta de patrulhamento rural. O condomnio est prximo da Estrada Nova Tirol, bairro Capoeira. Jorge militava como ambientalista h trs dcadas. lamentvel o que aconteceu, afirma o amigo e presidente da ONG que Jorge fundou em 1997, a Associao Paranaense de Preservao Ambiental do Rio Iguau e Serra do Mar (APPAM), Irineu Nogueira.

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