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Fotos: Christian Rizzi

Fotos: Christian Rizzi / Brasileiros reunidos em Colnia Formoza, no Paraguai: falsificadores de ttulos estariam por trs do avano de grupos de sem-terra do pas vizinho sobre terras produtivas Brasileiros reunidos em Colnia Formoza, no Paraguai: falsificadores de ttulos estariam por trs do avano de grupos de sem-terra do pas vizinho sobre terras produtivas
Conflito agrrio

Brasiguaios em alerta no Paraguai

Agricultores radicados no pas vizinho pedem ajuda do governo contra invases de propriedades. Duplicidade de ttulos acirrou nimos com sem-terra paraguaios

Publicado em 13/07/2011 |
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 / Ademir Rickli ( direita) foi atacado por campesinos quando limpava uma rea que havia sido desocupada Ampliar imagem

Ademir Rickli ( direita) foi atacado por campesinos quando limpava uma rea que havia sido desocupada

Posio oficial

Ministro garante desocupao

Aps sobrevoar a regio em que produtores brasileiros e sem-terra paraguaios disputam reas, o vice-ministro paraguaio do Interior, Gregorio Almada, garantiu ontem que os campesinos acampados na propriedade do grupo brasileiro Favero, em acunday, no estado de Alto Paran, sero desalojados a partir de hoje. A deciso foi confirmada tambm por porta-vozes da Presidncia da Repblica do pas vizinho.

Desde domingo, policiais esto nas proximidades da rea de maior conflito agrrio no Paraguai para impedir que agricultores brasileiros e sem-terra paraguaios entrem em confronto. Segundo os colonos, o problema estava na indeciso do Judicirio paraguaio. Enquanto um juiz insistia na ocupao, outro decidia pela reintegrao, disse o brasileiro Osias Neiverth. Os ocupantes foram intimados a deixar a propriedade h uma semana. Se insistirem em ficar, seremos obrigados a cumprir a deciso judicial de desocupao. E, este prazo termina amanh [hoje], observou Almada. Os sem-terra esto na propriedade h 80 dias. O governo anunciou que pretende criar um cadastro nacional para medir o dficit agrrio do pas.


Decididos a pressionar o governo paraguaio, agricultores brasileiros dos estados de Alto Paran e Canindey comeam hoje um tratorao em duas das principais rodovias de acesso a Encarnacin, na fronteira com a Argentina, e capital Assuno. A manifestao, que j vinha sendo estudada pelos lderes de agremiaes agrcolas, foi decidida no final da tarde de ontem, em resposta s agresses sofridas pelo produtor Ademir Rickli, atacado por um grupo de sem-terra que havia sido desalojado h uma semana.

Por volta das 10 horas, Rickli, irmos, filhos e funcionrios pretendiam limpar a rea antes ocupada por pelo menos 40 famlias de sem-terra, agora acampadas s margens da rodovia. Assim que comearam o trabalho foram atacados por um grupo de 15 homens armados com paus, pedras e faces. Foi uma emboscada. Meu pai acabou atingido no rosto e na cabea por golpes de faco e pedra, contou o Ademir Rickli Jnior. O agricultor passa bem. Revoltados, cerca de 20 produtores rurais bloquearam a via por quase quatro horas.

H quase trs meses impedidos de plantar, proprietrios que tiveram as terras invadidas denunciam uma srie de arbitrariedades sustentadas por instituies ligadas ao prprio governo paraguaio. Os campesinos [sem-terra paraguaios] chegam, acampam e exigem que a gente saia da propriedade, dizendo que so os verdadeiros donos, afirmou Rickli Jnior, h 12 anos em San Rafael del Paran, no pas vizinho. De acordo com o brasileiro, os campesinos so auxiliados por falsificadores de ttulos que tm como alvos as propriedades produtivas.

Queremos apenas que respeitem os nossos direitos e que possamos trabalhar em paz. Nosso lugar no aqui protestando, na terra produzindo, comentou o agricultor Adair Matei, desde 1979 em Formosa, a cerca de 100 km de Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguau. Precisamos que o governo paraguaio faa a sua parte e garanta a nossa segurana, completou o presidente da Associao Agrcola de Alto Paran, Adir Lui. Um dos mais ricos do pas vizinho, o estado rene cerca de 6 mil brasileiros que plantam soja.

Apoio

Capital da imigrao brasileira na dcada de 1970, Santa Rosa e municpios vizinhos como Santa Rita, Naranjal e Cedrales so responsveis por quase toda a produo de gros do Paraguai. Estamos trabalhando aqui h mais de 30 anos, sempre por conta prpria. Do Brasil no recebemos quase ateno nenhuma. Temos o apoio apenas de um ou outro prefeito e governadores paraguaios, disse o agricultor Lus Zuchi. Manifestantes com tratores e mquinas se concentraram em pelo menos cinco localidades da regio.

Preocupados com o acirramento dos conflitos por terra em Alto Paran, prefeitos decretaram estado de emergncia. A iniciativa permite que acionem o governo paraguaio e organismos internacionais para que o impasse possa ser resolvido. Queremos dar uma soluo pacfica para essa questo. Estamos esperando uma resposta. Caso nada seja feito, bom que saibam que temos fora para parar o pas, ameaou o prefeito de Santa Rita, Concepcin Rodrguez, adiantando que a partir de amanh o comrcio poder ser fechado.

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