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Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo

Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo / Marchi: falta de recursos dificulta criação de novas tecnologias Marchi: falta de recursos dificulta criação de novas tecnologias
Tecnologia

Foguete da UFPR ganha incentivo

Pesquisa da UFPR receberá R$ 120 mil para programa de computador que economiza tempo e dinheiro em testes de tecnologia espacial

Publicado em 16/09/2012 |
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O grupo de pesquisa sobre propulsão e aerodinâmica de foguetes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) ganhou dois motivos para comemorar em 2012: além dos 10 anos de existência, a equipe ainda foi uma das 19 contempladas pelo programa governamental Pró-Estratégia, que pretende incentivar com recursos as pesquisas nos setores de defesa e estratégia no Brasil.

Formado por professores e alunos de pós-graduação do Departamento de Engenharia Mecânica da UFPR, o grupo tem foco em estudos sobre propulsão e lançamento de foguetes. Atualmente, realiza pesquisas no desenvolvimento de programas de computador capazes de fazer simulações numéricas para propulsão de foguetes e posterior resolução de problemas de aerodinâmica.

Desenvolvimento

Sem investimentos, tecnologia espacial não decola no Brasil

A tecnologia espacial no Brasil, especialmente de desenvolvimento de foguetes, está “em banho-maria”, na avaliação do professor do departamento de Engenharia Mecânica da UFPR Carlos Henrique Marchi. “Avançamos com passos pequenos e tudo é feito bem devagar.”

Para exemplificar as limitações, ele cita o projeto Veículo Lançador de Satélites (VLS), criado em 1979 e que previa o lançamento de um foguete em 1986. “Os testes anteriores falharam e espera-se que, ano que vem, seja feito uma nova rodada, outra sessão em 2014 ou 2015, e só depois disso será possível viabilizar a operação.”

Falta investimento em mão- de-obra qualificada e recursos para pesquisas. “O Inpe e o IAE são as unidades que concentram a tarefa de desenvolver o programa espacial do Brasil e não passam de mil pesquisadores. Nos Estados Unidos, são 10 ou 11 institutos de pesquisas, com 5 mil pesquisadores em cada um. Lá, o orçamento é de US$ 15 bilhões; aqui, não passa de R$ 300 milhões.”

Projeto busca estimular pesquisas em setores estratégicos no país

Estimular a produção de ciência e inovação e incentivar a formação de pós-graduados nas áreas de defesa, desenvolvimento e temas estratégicos. Esse é o objetivo central do Pró-Estratégia, projeto criado em 2011 e desenvolvido em cooperação entre a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE-PR) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para desenvolver estudos em tecnologia da informação, cibernética, energia nuclear e tecnologia espacial.

O primeiro edital de liberação de recursos, publicado em dezembro, selecionou 19 estudos. Quarenta instituições em todo o Brasil vão receber financiamento (entre elas, a UFPR). Durante os quatro anos do projeto, a SAE deve investir R$ 4 milhões nos projetos contemplados e a Capes, 7,2 milhões.

Por enquanto, a Assessoria de Defesa da SAE-PR garante que está otimista com o projeto. Segundo a assessoria, a expectativa é que, caso esta primeira experiência seja positiva, novos editais do Pró-Estratégia sejam lançados a partir de 2016 e outros projetos sejam implementados para incentivar a pesquisa na área de assuntos estratégicos no Brasil.

A inspiração é o Pró-Defesa, uma iniciativa do Ministério da Defesa, também em parceria com a Capes, que está em seu terceiro ciclo de concessão de investimentos para pesquisa na área de defesa nacional.

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“De maneira bem simplista, o computador prevê o desempenho do foguete diante de algumas variáveis, como o combustível, o material e a força do ar, e esses resultados ajudam a identificar erros e consertá-los”, explica o professor do departamento de Engenharia Mecânica da UFPR e líder do grupo, Carlos Henrique Marchi.

Parcerias

Como um dos objetivos do Pró-Estratégia era formar redes de pesquisas no Bra­­sil, a proposta vencedora da UFPR vai ser desenvolvida em parceria com outras quatro insti­­tuições: Universidade de Bra­­sília (UnB), Instituto Tecno­­lógico da Aeronáutica (ITA), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Quanto aos recursos, serão R$ 600 mil divididos entre as cinco instituições nos quatro anos de vigência do programa.

“As outras universidades têm resultados de testes com motores e vão nos passar. Elas também vão realizar novos experimentos e nós vamos poder acompanhá-los, pegar detalhes dos resultados e, com os dados em mãos, fazer simulações no nosso programa para comparar os resultados e aprimorá-lo”, explica Marchi.

O investimento do Pró-Estratégia também vai ajudar na formação de novos pesquisadores. Segundo o edital do programa, cada universidade precisaria formar pelo menos dois mestres e um doutor. Para Marchi, o projeto da UFPR deve ir muito além desse número. “No total, esperamos que sejam 19 mestres e 11 doutores nesses quatro anos.”

Entre os principais benefícios que a pesquisa deve trazer está a possibilidade de reduzir os custos e o tempo para realização de testes com foguetes. Segundo Marchi, atualmente as simulações experimentais para prever a força exigida, as condições de lançamento e o impacto dos foguetes exigem equipamentos cujos custos são da ordem de milhões de reais. “Por um problema mínimo nos cálculos, na geometria ou na potência do motor, talvez ele não consiga entrar em órbita ou sequer sair do lugar e o trabalho precisa ser começado novamente.”

A vantagem estaria na possibilidade de fazer testes virtuais, sem precisar construir os protótipos. “No computador, podemos fazer testes só usando os dados numéricos e, se uma determinada situação não der certo, basta ver o que seria necessário modificar, recomeçar os cálculos e fazer uma nova simulação, sem os custos e o tempo exigido em uma simulação experimental.”

Segundo Marchi, a expectativa é que, comprovada a eficiência do programa de computador para realizar os testes, ele possa ser usado em novos projetos, tanto para desenvolvimento de foguetes quanto para outros equipamentos. “O programa tem um conceito genérico. Então, com algumas adaptações facilmente poderia ser usado em turbinas hidráulicas, automóveis e na aerodinâmica de edifícios.”

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