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Marco Lima / Agência de Notícias Gazeta do Povo

Marco Lima / Agência de Notícias Gazeta do Povo / Ato na Praça Santos Andrade abriu as atividades do protesto por volta das 8 horas Ato na Praça Santos Andrade abriu as atividades do protesto por volta das 8 horas
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Greve dos educadores de creches deixa crianças sem atendimento em Curitiba

Sindicato estima que 2,5 mil educadores participem da paralisação na capital, mas prefeitura diz que são 1,8 mil. Grupo fez caminhada do Centro até a Prefeitura de Curitiba

26/11/2013 | 08:47 | atualizado em 26/11/2013 às 12:14
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Educadores das creches de Curitiba, chamadas de Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), começaram nesta terça-feira (26) uma greve por tempo indeterminado. O sindicato que representa a categoria diz que 2,5 mil educadores, de um total de 4 mil, estão de braços cruzados. Nessa hipótese, o número representa pouco mais de 60% do total de trabalhadores, que atuam em 197 unidades na capital. A prefeitura rebate os números e diz que 37% dos educadores aderiram à paralisação de um total de 5 mil.

Veja fotos do protesto dos educadores das creches de Curitiba

De acordo com nota enviada pela Prefeitura de Curitiba, quase cinco mil educadores compõem o quadro da educação infantil municipal. Destes, 1.834 teriam aderido ao movimento nesta terça-feira (26). Conforme dados do órgão municipal, em apenas 12, dos 197 Centros Municipais da Educação Infantil (CMEIs), da rede as atividades foram suspensas por falta de educadores.

Um ato na Praça Santos Andrade abriu as atividades do movimento por volta das 8 horas. Por volta das 10 horas, começou uma caminhada do local inicial até a Prefeitura de Curitiba. O trajeto seguiu pela Rua Marechal Deodoro da Fonseca, onde houve bloqueio de meia faixa, conforme o sindicato. Depois, o grupo seguiu pela Avenida Marechal Floriano Peixoto até a Praça Tiradentes, contornou este local e pegou a Rua Barão do Serro Azul até a Avenida Cândido de Abreu, onde fica a prefeitura. O grupo chegou à sede do governo municipal pouco depois das 11 horas.

Por volta do meio-dia, uma comitiva foi recebida na Prefeitura de Curitiba para uma rodada de negociação. Representam o Executivo municipal a vice-prefeita da capital Mirian Gonçalves, a secretária de Finanças, Eleonora Fruet, e a secretária de Recursos Humanos, Meroujy Cavet. À tarde, após a reunião, os manifestantes devem fazer uma nova assembleia da categoria para definir se a greve continua.

A coordenadora geral do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc), Ana Paula Cozzolino, diz que alguns pais chegaram a levar os filhos para a escola. Nos locais onde os educadores aderiram à greve, segundo ela, as crianças são dispensadas. Ela confirmou que havia entidades fechadas no entorno dos bairros Santa Felicidade, Pinheirinho, Cajuru, Boqueirão, Bairro Novo e Centro pela manhã.

“A grande maioria dos CMEIs está fechada. Em Santa Felicidade todos estão sem atendimento. Teve alguns pais que levaram as crianças, sim, e eles estão sendo orientados. Estamos com caminhões de som na praça e vamos seguir em marcha para a Prefeitura”, disse a líder do grupo no início da manhã.

Outro lado

Na mesma nota em que fornece números do movimento, a Prefeitura de Curitiba informa que está aberta ao diálogo com a categoria. O documento informa que que está em processo de elaboração um novo plano de carreira para os educadores e que nesse novo pacto haverá "valorização do profissional com curso superior, acelerando o crescimento na carreira, e o incentivo à formação dos demais, mediante oferta de cursos de Pedagogia a partir de 2014."

A nota também diz que será aberto um concurso público para contratação de novos educadores. A intenção da prefeitura é permitir a implantação gradativa dos 33% de "hora-permanência", a partir de abril de 2014. Isso "significa dizer que haverá redução da carga horária do educador com as crianças e garantia de tempo para planejamento de atividades e estudo", conforme a nota.

A Prefeitura de Curitiba se comprometeu ainda a criar uma equipe de "educadores volantes nos núcleos regionais de educação, para substituição de profissionais licenciados." Já sobre a aposentadoria especial concedida aos professores, a implantação do benefício aos educadores está em estudo.

Reivindicações

O impasse que provocou a paralisação nos CMEIs envolve questões salariais e revisão nos benefícios dos educadores e pedagogos (das creches), para que sejam iguais aos concedidos aos professores e pedagogos (das escolas municipais). Um debate sobre o assunto é realizado por representantes dos educadores e prefeitura desde janeiro, mas, segundo o sindicato, a pauta avançou em um ritmo mais lento que o esperado pela categoria.

Um dos pontos da pauta - equidade entre profissionais de creches e de escolas - é o fato de de que os educadores têm jornada mínima de 40 horas – diferente dos professores, que tem jornada de 20 horas. Com isso, os professores acabam dobrando a jornada e tendo um salário maior que os dos educadores. Aliado a essa revisão na carga-horária, a classe que ameaça greve quer que o salário (atualmente em R$ 1.830, por 40 horas) alcance o piso do professor (R$ 3.062, por 40 horas).

Outro aspecto que está na lista de reivindicações é a questão da hora-atividade de 33% do tempo total da carga-horária do profissional de educação das creches. Os profissionais também querem a aposentadoria especial igual a dos professores (depois de 25 anos de trabalho), entre outras exigências.

Reuniões na segunda

Na segunda, o sindicato e a prefeitura sentaram à mesa de negociações, mas não houve acordo. A reclamação da entidade sindical é de que o Executivo não assumiu prazos para conceder benefícios aos educadores. No fim do dia, o próprio prefeito Gustavo Fruet (PDT) recebeu os manifestantes para uma conversa, mas não conseguiu impedir o início da greve da classe trabalhista.


Educadores de creches fazem greve Ampliar

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