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Daniel Castellano / Agência de Notícias Gazeta do Povo

Daniel Castellano / Agência de Notícias Gazeta do Povo / Carro alegórico da Escola de Samba do Batel. Agremiação abriu o carnaval de Antonina Carro alegórico da Escola de Samba do Batel. Agremiação abriu o carnaval de Antonina
Litoral do PR

Com improviso, escolas de samba de Antonina amanhecem na avenida

Criatividade e união são meios de driblar o baixo orçamento e as dificuldades enfrentadas pelas agremiações até poucos minutos antes do desfile; proibição de menores pela justiça desagradou as comissões de organização

03/03/2014 | 11:57 | atualizado em 03/03/2014 às 14:29
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Antonina amanheceu na avenida nesta segunda-feira (3). Com muitas cores, samba no pé e um show à parte das baterias, o desfile das cinco escolas de samba da cidade divertiu os foliões durante toda a madrugada. Sem dinheiro para investir em superproduções, a improvisação foi a marca registrada da noite.

Confira fotos do desfile em Antonina

Personagens

Enquanto comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira, passistas, rainha de bateria e baianas encantam o público, as dezenas de pessoas que trabalham no apoio não são menos importantes para a evolução da escola. Uma dessas funções “escondidas” é a de empurrador de carro alegórico. “São umas seis pessoas por carro, é tudo manual, mas é tranquilo”, contou o empresário Hever Linhares, 38 anos, um dos responsáveis pelo abre alas do Batel.

Fora da avenida, torcida afinada é outro elemento importante para garantir o brilho do desfile. Com o enredo na ponta da língua, a técnica em enfermagem Cristina Conrado, 50 anos, vibrou com a passagem da escola do coração. “Moro no Batel, do lado da quadra, mas nunca pensei em sair. Sou só torcida, sempre.” As figuras carimbadas também são uma marca do Carnaval antoninense. Morador de Curitiba, o técnico em segurança patrimonial Valdomiro Cruz, 55 anos, participa há 20 da festa na cidade. Folião de carteirinha, ele imitou Renato Sorriso, gari carioca que ficou famoso na Sapucaí. “Tem que imitar quem sabe. Saio agora de passista na Portinho, depois na Batuqueiros, puxando o samba-enredo. Tem que ser polivalente”, brincou.

Quem vem uma vez para Antonina e gosta de samba garante: não tem como não voltar. Foi o que aconteceu com o casal de médicos curitibanos Emir e Angela Riechi. Há seis anos, ele operou um antoninense e começou a visitar a cidade aos finais de semana. “Já era músico e comecei a tocar no Mercado Municipal. Aí convidei uns amigos e viemos para o Carnaval.” Neste ano, o grupo de 14 pessoas – duas crianças – participa dos blocos, da ala do açúcar na escola do Batel e do concurso de fantasias, na noite desta segunda-feira. “Mesmo os que não gostam acabam entrando na festa, ficam fotografando. Quando acaba, já deixamos reserva no hotel e em uma escola de samba.”

Duas horas antes do desfile, a costureira de Paranaguá, contratada para fazer as fantasias da Escola de Samba do Batel – agremiação escalada para abrir a festa – avisou que não entregaria as vestimentas da comissão de frente a tempo. A correria e a união da comunidade garantiram que Poseidon e os Tritões encantassem o público à frente do primeiro carro. “Em nenhum momento achamos que não daria tempo”, afirmou Enrique Araújo, 27 anos, membro da comissão de frente da escola.

A imagem de Caio Murilo de Lima, 18 anos, arrumando o fio da cuíca que arrebentou minutos antes do desfile, traduz bem o espírito do Carnaval antoninense, onde carros alegóricos e fantasias são feitos em pouquíssimo tempo, com boa vontade e recurso escasso. “Nunca tinha acontecido, mas está tudo certo. Saio desde os três anos na ala dos palhaços, e há sete na bateria.”

Às 21h30, uma hora depois do previsto, a bateria da Batel começou o aquecimento. Depois de protestos do público, impaciente com a demora, o desfile começou por volta das 22 horas. Com o enredo “Do Teffé ao Félix: nosso porto ontem, hoje e sempre”, a escola homenageou a atividade portuária, uma das principais fontes de renda da cidade.

Sem crianças

A decisão judicial que proibiu menores de idade de participar do desfile causou revolta entre as comissões de organização das escolas e gerou atrasos. Terceira a desfilar, a Filhos da Capela se recusou a entrar na avenida enquanto a justiça não liberou a participação de quatro menores de idade (dois com menos de 12 anos e dois com mais de 14). “Não admitimos que uma criança que nasceu no samba não possa sair, não podemos aceitar esse autoritarismo do judiciário”, disse um membro da escola no microfone.

“Tínhamos uma ala com 40 crianças, mais 12 ensaiando semanalmente na bateria. Temos destaques que gastaram mais de mil reais na fantasia e agora não podem desfilar. Estão inibindo a tradição”, reclamou a vice-presidente da Portinho, Daniele Camargo Macedo, que participa da agremiação desde os 5 anos de idade.

A presidente da Batuqueiros do Samba, Claudineia Cardoso Pires, também reclamou da decisão e prometeu ir à Câmara de Vereadores durante a semana protestar. As escolas alegam que é injusto proibir crianças na avenida, acompanhadas dos pais, mas permitir que fiquem assistindo aos desfiles durante toda a madrugada, como ocorreu. “Tenho uma neta de 7 anos que está inconsolável. Ela disse ‘me dói no coração não poder sair’.”

Desfile

A segunda escola a entrar na avenida foi a Portinho, que trouxe o tema “Viagem no tempo através de algumas das maiores invenções e descobertas da humanidade”. O carro alegórico com Santos Dummont e seu 14 bis, e uma “paradona” da bateria foram as marcas da agremiação na noite.
Pouco mais de meia noite e meia a tradicional Filhos da Capela já se concentrava, mas a entrada na avenida ocorreu mais de uma hora depois.

Impacientes, muitas pessoas foram deixando o local. Com cerca de 400 integrantes, a escola homenageou a música, com o enredo “Todos os cantos de Antonina”. “A gente tenta fazer o melhor que pode, agora que vamos reunir tudo. O resultado é surpresa até para nós”, revelou a tesoureira Cristiane Alves Peixoto.

Mesmo sem concurso, as escolas lutam para fazer o melhor na avenida. Há quem defenda a volta da competição – que já causou muitas brigas entre as escolas –, que poderia garantir os desfiles dentro do tempo previsto, uma vez que os grandes atrasos implicariam em perda de pontos.

Por volta das 3 horas da manhã, a Leões de Ouro começava a “defumar” a avenida. Mística, a escola que completa 23 anos neste Carnaval optou pelo tema “São Jorge Guerreiro”. “São cinco alas e cinco carros, com 50 pessoas em cada ala. Na última, sairão os corintianos devotos. É uma pena não termos as crianças, que são o brilho da nossa escola”, lamentou Enilton Costa, componente da diretoria.

Com o enredo “A Oxum, orixá do amor”, a Batuqueiros do Samba fechou o desfile. “Vamos amanhecer na avenida. Estou a três dias sem dormir, fazer Carnaval sem dinheiro não é fácil. Liberei muita fantasia do ano passado lá no barracão, se todos saírem, será muita gente”, afirmou a presidente Claudineia Pires.


Confira fotos do desfile em Antonina Ampliar

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