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Marco Martins/Gazeta do Povo

Marco Martins/Gazeta do Povo / Paulo Ferreira mostra o protocolo: documento ficará pronto em um mês Paulo Ferreira mostra o protocolo: documento ficará pronto em um mês
Documentação

Emissão de RG no interior demora até 60 dias

Coleta de dados dos requerentes de carteiras de identidade ainda é analógica em 396 cidades do Paraná

Publicado em 01/09/2008 |
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Santo Antônio da Platina, Umuarama, Foz do Iguaçu e Ponta Grossa - O estudante Paulo Ferreira, de 15 anos, já tem emprego garantido na empresa de um tio, em Santo Antônio da Platina, Norte Pioneiro, mas ainda terá de esperar mais de 30 dias para começar a trabalhar, porque antes precisa receber a sua carteira de identidade. Em algumas cidades, a demora chega a 60 dias. Ela ocorre porque o posto de atendimento do Instituto de Identificação do Paraná na cidade ainda usa a velha fórmula do tinteiro para tirar as impresões dos dedos de quem precisa do documento.

O método, apesar de ser o único disponível em 396 cidades do estado, é o grande responsável pela demora na expedição dos RGs, porque os dados do requerente e as próprias impressões demoram a chegar à sede do instituto, em Curitiba, assim como o armazenamento destas informações. Parte dos dados e até alguns documentos são enviados por malote para a sede do instituto. Apenas Curitiba, Londrina e Cascavel contam com o sistema digital, que diminuiu para dez dias o prazo máximo para a entrega do documento.

Documentos exigidos

Veja o que é preciso para tirar a carteira de identidade:

- Original e fotocópia da certidão de nascimento ou de casamento;

- Recolher taxa em agência bancária, que varia de R$ 10,85 a R$ 19;

- Duas fotos 3x4 iguais e específicas para identidade, sendo uma preto e branco e a outra colorida;

- Comprovante de residência.

Fonte: Sesp

Governo vai nomear mais 93 papiloscopistas

Santo Antônio da Platina - De acordo com a Secretaria Estadual da Segurança Pública, o governo estadual pretende nomear mais 93 papiloscopistas aprovados em concurso público feito no ano passado. Neste mês o governador Roberto Requião assinou os decretos de nomeação de 35 novos papiloscopistas que atuarão no Instituto de Identificação do Paraná.

A demora para nomear o restante dos aprovados, de acordo com a assessoria de comunicação da secretaria, acontece porque os aprovados precisam, antes de assumirem suas funções, participar do curso de atualização em Papiloscopia Policial na Escola Superior de Polícia Civil.

Além da emissão da carteira, os papiloscopistas se preparam para atender locais de crime e identificar os autores por meio das impressões digitais ou fragmentos coletados no local.

Com a implantação da nova carteira no estado, todas as digitais e fotos colhidas para as identidades passarão a constar no banco de dados do Instituto de Identificação, que ainda é atualizado constantemente com os dados dos presos recolhidos em delegacias, cadeias e presídios do Paraná. (MM)

Arquivo guarda carteiras esquecidas por até 8 anos

Maringá - Apesar da demora no tempo de entrega da carteira de identidade, muitas pessoas esquecem de retirá-la. Em Maringá, no Noroeste, há muitos casos de pessoas que simplesmente se esquecem de retirar o documento no Instituto de Identificação do Paraná. O responsável pelo setor de expedição de documento Nivaldo Paris explica que apesar do prazo máximo para a retirada do documento ser de dois anos, nos arquivos há documentos que esperam por seus donos há até oito anos. “As pessoas comparecem dizendo que precisam do documento com urgência, mas se esquecem de retirá-lo, temos documentos que ficaram prontos desde 2000 e que ainda estão aqui”.

Quem procura o órgão para fazer o documento em Maringá encontra tranqüilidade e pouco tempo na fila. Mas assim como em outras cidade, deve ter paciência para aguardar no mínimo 30 dias para retirar o seu RG. Segundo Nivaldo Paris, o novo sistema deve ser implantado em Maringá até o fim do ano.

Octávio Rossi, correspondente

Assim como Paulo Ferreira, pelo menos outros dez jovens procuram diariamente o posto do órgão em Santo Antônio da Platina para tirar o documento e procurar uma ocupação. Muitos têm pressa, como o também estudante Ygor Biagione, 17, que por conta da demora na entrega do documento perdeu o emprego de empacotador em um supermercado da cidade. Segundo ele, a sua contratação estava condicionada à entrega das cópias dos documentos pessoais, entre eles, o RG, em um prazo de 20 dias.

A assessoria de comunicação da Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp) admite a demora e revela que em alguns casos, o atraso chega a ser de 60 dias. Porém, de acordo com a secretaria, o problema deve ser resolvido em breve. O governo estadual já recebeu os equipamentos para digitalizar todos os postos de atendimento espalhados pelo estado, porém não há prazo para a instalação do sistema.

Na grande maioria dos casos, o serviço é feito por servidores municipais cedidos à Sesp. Em Santo Antônio da Platina, dois funcionários dividem a função durante a manhã e a tarde. Diariamente são quase 30 solicitações do documento, mas durante o período de matrículas escolares o movimento aumenta três vezes. Com um volume de serviço tão grande os funcionários reclamam das dificuldades para atender melhor a população. Na quinta-feira à tarde, dia 28, um cartaz escrito à mão na porta do posto de Santo Antônio da Platina informava que naquele dia não haveria atendimento, somente “serviço interno”.

“Semana passada fui na casa de uma família que tinha um bebê que não podia sair de casa”, conta o atendente Luiz Fernando Cardoso Pereira, de 30 anos, do Instituto de Identificação. “A criança precisava do documento para poder iniciar um tratamento delicado. Tive que fechar o posto e ir até lá.”

Mais demora

Em Foz do Iguaçu, uma das duas unidades do Instituto de Identificação recebe ao dia cerca de 60 pedidos para confecção de RG. A demanda é tamanha que no início do ano foi criada outra repartição para atender a população. Em média o documento demora cerca de 40 dias para ser retirado.

A dona de casa Vanderléia Texdorf, 25, levou os três filhos pequenos para fazer a identidade porque precisa do documento para cruzar a fronteira de Foz do Iguaçu com Puerto Iguazú, na Argentina, com as crianças. No entanto, ela vai ter que aguardar uma média de 40 a 45 dias para retirar o documento. Enquanto isso, tem de deixar os filhos, Luiz Eduardo e Maria Eduarda, um casal de gêmeos de 1 ano e meio, e Angélica, de 2 anos e meio, com parentes para ir ao país vizinho.

Em Umuarama, o tempo de espera é praticamente o mesmo de outras cidades. Mas o atendimento está comprometido porque o posto do instituto passa por reformas, justamente para a instalação do sistema digital.

Independentemente da demanda, o tempo de espera para conseguir o RG é de no mínimo 30 dias nos Campos Gerais. Em Ponta Grossa, onde são pedidos em média 70 documentos por dia nos dois núcleos do Instituto de Identificação, a emissão pode levar 32 dias. A espera em Sengés, onde são emitidos 70 RGs por mês, oscila entre 30 e 45 dias.

“No ano passado, demorava até seis meses”, lembra a responsável pelo núcleo de Sengés, Neli de Jesus Teodoro Ribeiro. A extensão do prazo em Sengés se explica pela dificuldade de locomoção da responsável até a regional de Ponta Grossa. “Espero juntar um número grande de documentos para levar o malote à regional, senão teria que ir uma vez por semana e isso ocasionaria custos de viagem”, comenta.

De acordo com o papiloscopista João Gonçalves do Amaral Junior, a regional de Ponta Grossa está “50% digitalizada”, ou seja, as fotografias são feitas no próprio posto e o envio de informações à central em Curitiba é on-line.

Amaral diz acreditar que quando a informatização for completa poderá haver filas nos postos. “Hoje levo três minutos para pegar as informações para fazer o documento aqui. Quando for digitalizado, vou demorar pelo menos 45 minutos com cada pessoa”, afirma.

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