Terça-feira, 09/02/2010
Segundo relato prestado pelo casal ao telejornal Paraná TV 1ª edição, era noite de domingo (5) quando os dois, que têm medo de mostrar o rosto, saíram para caminhar pela cidade. Eles teriam sido vítimas de uma tentativa de assalto, e pedido ajuda para um guarda municipal. “Eu, por natureza, de onde venho, me referi ao guarda, no desespero, como ‘senhor guardinha, senhor guardinha’. Dali ele já começou: ‘O que? Senhor guardinha? Guardinha?’”, explicou o rapaz. “Eles [disseram] ‘não, não é guardinha. Vocês vão aprender a falar’”, prosseguiu a mulher.
RPC TV
Violência teria durado mais de quatro horas, segundo os estudantes
O casal de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, está em Curitiba há poucos meses. A moça mostrou roupas totalmente rasgadas, que seriam as usadas na noite da agressão. Segundo eles, os estragos seriam resultado de mais de quatro horas de tortura. Depois de serem agredidos na rua, ambos teriam sido levados para a sede da Guarda Municipal, e, lá, teriam sofrido as piores agressões. “Ali, algemado, tomava coronhada na cara, na cabeça...”, disse a vítima. A supervisora da Guarda Municipal também teria participado da tortura. “Apanhei muito, eu achei que ia morrer. Achei que não ia sair dali viva”.
Os dois disseram que foram levados pelos guardas para o 8º Distrito Policial, no Portão. Lá, teria havido ainda mais violência. “O policial me pegou e bateu com muita força”, afirmou o estudante. Na delegacia, os mesmos guardas, que, segundo o casal, comandaram as agressões, registraram boletim de ocorrência contra os estudantes paulistas por desacato à autoridade.
O rapaz e a esposa também ingressaram com denúncia contra os guardas, por tortura, e fizeram exames de lesões corporais. “A autoridade policial está encaminhando todo o procedimento à corregedoria da Polícia Civil. Com certeza a corregedoria vai designar um delegado especial para conduzir a instauração do inquérito policial”, explicou Adolfo Rosevicz Filho, superintendente do 1º Distrito Policial, ao Paraná TV.
Procurada pelo Paraná TV, a prefeitura de Curitiba disse que ainda não havia recebido nenhuma denúncia contra a Guarda Municipal.
“Eu estou apavorada, estou com medo de dormir a noite”, disse a jovem que teria sido vítima dos guardas. “Eu só quero uma coisa, só quero Justiça”, finalizou o rapaz.
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