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Valterci Santos/Gazeta do Povo

Valterci Santos/Gazeta do Povo / Além de disciplinas formais, estudantes da Escola Especial Bom Jesus têm atividades personalizadas Além de disciplinas formais, estudantes da Escola Especial Bom Jesus têm atividades personalizadas
Inclusão

Escola para crianças especiais faz 25 anos

Publicado em 13/10/2008 |
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A Escola Especial Bom Jesus foi criada em 1983 para atender crianças e jovens portadores de necessidades especiais e está comemorando 25 anos. O fundador, o frade João Crisóstomo Arns, já é falecido, mas Odenise Arns acompanha o trabalho desde a fundação. Ela é professora na escola e tem um filho com síndrome de Down, motivo de seu envolvimento com a causa. “Participei de toda a trajetória, pois também tive dificuldades em encontrar um local onde meu filho se adaptasse. O trabalho cresceu e hoje são atendidos 43 alunos de 7 a 33 anos”, diz Odenise.

A iniciativa foi pioneira em Curitiba e surgiu da necessidade de incluir crianças e jovens com deficiência intelectual. O grupo estudou várias metodologias e tem um ensino individualizado, que procura respeitar o desenvolvimento de cada um. “Temos nossas pequenas vitórias, alguns alunos conseguiram ler e escrever, coisa que ninguém imaginava”, explica Odenise. “Mas, acima de tudo, eles conseguem ganhos fabulosos, como melhora da convivência e a criação de laços de amizade. É uma grande caminhada de humanização”, afirma.

A escola é semi-integral; há aulas formais, como Língua Portuguesa e Matemática, e também oficinas de artesanato, conserto de brinquedos, costura e bordado, culinária, dança, jardinagem, informática, marcenaria e atividades aquáticas. Os exercícios são direcionados para as necessidades individuais de cada estudante. Além destas atividades lúdicas, os estudantes têm muito incentivo à prática de esportes, que auxilia no desenvolvimento e aprendizagem dos jovens. “Na piscina, por exemplo, eles fazem alongamento e relaxamento, melhoram a capacidade respiratória e também o equilíbrio”, explica Mônica Regina Bertoldi, gestora da escola.

Para garantir que os alunos tivessem uma oportunidade no mercado de trabalho, a direção resolveu abrir uma empresa. A Valor Brasil começou com um empréstimo de R$ 80 mil, pagos em produtos, e produz peças de TNT, como aventais e toucas. Hoje atende clientes como Correios, Fiat, Amil, Volvo, Renault e próprio Colégio Bom Jesus. “É um incentivo para que eles continuem a se desenvolver. Damos autonomia”, diz a professora.

O maior mérito da escola, de acordo com Odenise, é a inclusão verdadeira dos alunos. “Incluir significa se sentir respeitado e amado. Nestes 25 anos aprendi que as coisas simples valem a vida e trazem muito crescimento interior”, explica. “A gente vive em um mundo onde tudo cresce e se esvai. Lá não, é um crescimento de humanidade”, afirma. Para Mônica, gestora da escola, a maior lição que as crianças e jovens ensinam é o amor pela vida: “Eles são muito sensíveis e nos transmitem a vontade de viver e ser feliz.”

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